‘É O HÁBITO DELES’: Mulher que viu filhos serem torturados por PMs na BA conta que foi ameaçada
A mulher que teve casa invadida por policiais militares na cidade de Capim Grosso, no norte da Bahia, e viu filhos serem torturados contou na manhã desta quinta-feira (10/9), em entrevista ao programa Encontro, da TV Globo, que chegou a ser ameaçada e que casos de agressões policiais no bairro José Mendes de Queiroz, onde ela mora, são recorrentes.
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“No bairro onde a gente mora é assim, é o hábito deles. Um dos meus filhos, desde os 13 anos, ele apanha. Eu acho que é por causa da cor dele, porque ele não faz nada de errado, é um menino muito bom. Eu moro lá há quase 30 anos, todo mundo me conhece, todos estão revoltados por causa disso”, disse Judice Silva Oliveira.
A situação aconteceu no dia 29 de agosto. Jucide Silva Oliveira denunciou policiais militares por tortura e agressão contra os filhos, após os militares invadirem a casa da família, no bairro José Mendes de Queiroz. A Polícia Militar disse que instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos envolvidos.
Judice Oliveira conta que a família estava em casa, reformando uma parede do imóvel, quando parou para almoçar. Neste momento, os PMs chegaram procurando um homem conhecido como “Irmão de Marcelo”, só que ninguém sabia quem era essa pessoa.
Segundo a mulher, os policiais não acreditaram e passaram a torturar os dois filhos dela, para que eles falassem. Os militares usaram uma mangueira para enforcar um dos filhos de Jucide, que acabou desmaiando na ação. Os rapazes também tiveram os cabelos e chinelos cortados pelos PMs, além de serem agredidos.
“Eu só ouvi eles dizerem: ‘Sai, sai’. E quando vi, a casa já estava cheia de policiais. Aí eu falei: ‘Calma, foi o que que aconteceu?’. Eles já foram entrando perguntando por um tal de irmão de Marcelo, que a gente não sabe quem é e nunca nem viu”, disse a mulher.
“Já foi ‘botando’ a mangueira no pescoço do meu vizinho Romário e já foi enforcando. Eu disse a eles que não fizessem isso, que ele era pai de família e eles tiraram e colocaram [a mangueira] no pescoço de outro vizinho”.

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G1