Quem sou eu? Eu sou aquela que deixou o jaleco branco pra vestir essa farda, o salto por uma bota cano longo, as unhas bem feitas para obter calos, deixei o cabelo escovado pra ter um rabo de cavalo empoeirado e muitas vezes molhado da chuva, deixei o ar condicionado de uma ala pelo sol castigante em uma rodovia, o caminhar lento e silencioso por corredores de um hospital por uma viatura em alta velocidade e uma sirene que adentra até mesmo os meus sonhos.
Eu? Eu sou o forte sexo frágil, que se preparou fisicamente para levantar 2, 3, 4 vezes o meu peso para te socorrer. Sou aquela que na maioria das ocorrências preciso me impor a falta de respeito de alguns homens que me subestimam. Sou aquela que deixou em casa minha família, para socorrer a sua, seja em um acidente, um engasgamento ou até mesmo ajudá-lo a vir ao mundo dentro dessa viatura. Sim, sou eu. A mulher socorrista!
Sou aquela que teima em acostumar os braços frágeis, que a natureza ordenou que carregasse apenas o peso do próprio filho, a carregar estruturas grandes, aparelhos e macas, pranchas rígidas, além do seu peso, meu paciente. Sou também aquela que adentra a sua residência quando por infelicidade seu ente querido entra em surto psicótico, ameaçando a própria vida, e eu com tamanha resignação vou acalmá-lo. Sim, sou eu.
Sou eu, a Mulher Socorrista, aquela por amor ao resgate suporta o calor, o frio, gritos, agressões, desacatos, o próprio medo, por amor a sua vida…
Sim, por amor a vida de alguém que acabei de conhecer, assim sou, eu apaixonada pelo que faço, sou socorrista.
Uma homenagem da enfermeira Sandra Gomes Barros à todos os profissionais socorristas.
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