VÍDEO: prefeito expulsa médicos de hospital aos gritos após acusá-los de dormir e ‘namorar’ durante plantão
Uma discussão entre o prefeito de Barreiros, Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), e dois médicos de um hospital municipal repercutiu nas redes sociais. Um vídeo mostra o gestor gritando com os profissionais e ordenando que deixassem a unidade após acusá-los de dormir e ‘namorar’ durante o plantão.
O episódio aconteceu na noite de quarta-feira (4/11), no Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque, localizado na Zona da Mata Sul de Pernambuco. Segundo o prefeito, a abordagem ocorreu durante uma fiscalização surpresa, motivada por denúncias de falta de médicos na unidade.
Nas imagens, Carlinhos da Pedreira aparece entrando em uma sala onde estavam os dois profissionais e questionando a conduta deles. O gestor afirma que a emergência estava lotada e acusa os médicos de não estarem prestando atendimento.
“Um absurdo o que vocês estão fazendo. Meu Deus do céu! A emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo, namorando? É um absurdo. Vou botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital”, declarou. Em seguida, chamou os profissionais de “vagabundos”.
Em outra gravação, publicada nas redes sociais na quinta-feira (5), o prefeito contou que chegou de Recife por volta das 22h e decidiu verificar pessoalmente o funcionamento do hospital.
Segundo ele, ao encontrar a recepção cheia, foi informado de que havia três médicos de plantão, mas apenas um estaria atendendo. Depois de procurar pelos profissionais, disse ter encontrado dois deles no mesmo quarto, supostamente dormindo.
O prefeito afirmou que considerou a situação uma negligência médica e que decidiu demitir os profissionais naquele momento.
Prefeitura rescinde contrato com associação
Após o episódio, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão do Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque com a Associação João Paulo II.
Em nota, a administração municipal informou que a Secretaria de Saúde reassumirá temporariamente a gestão administrativa, operacional e assistencial da unidade. O município também comunicou que iniciou um processo licitatório para contratar uma nova organização responsável pela administração do hospital.
A prefeitura justificou o encerramento da parceria com base no acompanhamento e na avaliação da execução contratual, considerando princípios como legalidade, responsabilidade administrativa e interesse público.
A gestão afirmou ainda que está adotando medidas para garantir uma transição organizada e manter a continuidade dos atendimentos, a qualidade da assistência e o bem-estar dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Associação João Paulo II foi procurada para comentar a fiscalização e a rescisão contratual, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
Cremepe critica exposição dos médicos
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos dois médicos. A entidade afirmou que eventuais questionamentos sobre a assistência prestada, as escalas de plantão e o funcionamento dos serviços de saúde devem ser encaminhados pelos meios institucionais e legais.
Segundo o conselho, a fiscalização dos serviços públicos não dá ao gestor o direito de expor os profissionais ao julgamento público ou comprometer sua honra, imagem e dignidade.
A entidade destacou que esses direitos devem ser preservados mesmo diante de denúncias ou questionamentos sobre a atuação dos trabalhadores.
Sindicato contesta acusações do prefeito
O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também criticou a abordagem do prefeito e as insinuações sobre a vida íntima dos profissionais.
Em nota, a entidade afirmou que a presença de uma médica e um médico em um ambiente de repouso não justifica acusações de natureza íntima. Para o sindicato, as imagens divulgadas não comprovam o comportamento atribuído aos trabalhadores.
O Simepe informou ainda ter recebido relatos de que os profissionais estavam em um momento de descanso após intensa atividade assistencial nas primeiras 12 horas de plantão, enquanto um terceiro médico permanecia responsável pelos atendimentos.
A entidade ressaltou que o repouso durante os plantões é permitido, desde que organizado de forma a garantir a continuidade da assistência aos pacientes.
O sindicato também classificou a exposição dos médicos como uma forma de constrangimento público e afirmou que humilhar trabalhadores e antecipar julgamentos são atitudes incompatíveis com a responsabilidade de um gestor público.
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