Associados denunciam supostas irregularidades na gestão da ASCAVER em Conceição do Jacuípe

Denúncia aponta concentração de horários de transporte universitário, falta de prestação de contas e questionamentos sobre repasses de vales-transporte

Um associado e familiares de integrantes da Associação dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Conceição do Jacuípe (ASCAVER) denunciam supostas irregularidades na administração da entidade. As reclamações envolvem a distribuição dos horários do transporte universitário, a falta de prestação de contas sobre um contrato firmado com a Prefeitura e os valores repassados aos motoristas que trabalham com vales-transporte.

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Segundo o relato encaminhado ao FALA GENEFAX, a insatisfação é direcionada principalmente ao atual presidente da associação, Marcos Paulo, e ao secretário, Flávio Moraes. O denunciante afirma que a gestão estaria concentrando oportunidades de trabalho entre veículos ligados aos integrantes da diretoria, em prejuízo de outros associados.

“A diretoria vem trabalhando de forma arbitrária e egoísta, parecendo até não saber o significado de associação”, afirma o denunciante.

Concentração de horários no transporte universitário

De acordo com o denunciante, o contrato firmado entre a ASCAVER e a Prefeitura prevê a realização do transporte universitário, serviço que deveria beneficiar os integrantes da associação.

No entanto, ele afirma que o presidente Marcos Paulo e o pai dele possuem quatro veículos que, juntos, atendem a sete horários do sistema. Entre esses veículos está um micro-ônibus que, segundo a denúncia, ocupa o espaço que poderia ser utilizado por quatro vans menores, o que permitiria ampliar a oferta de horários de sete para nove.

“Só aí já estamos falando de, no mínimo, oito carros que têm seus direitos tomados, já que não podem trabalhar no transporte universitário”, reclama.

O denunciante também questiona a situação legal do micro-ônibus. Conforme o relato, o veículo não estaria mais licenciado junto à Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA) e não teria mais vínculo legal com a ASCAVER.

Ainda segundo a denúncia, o secretário Flávio Moraes e o pai dele possuem outros dois veículos, que ocupam quatro horários no sistema.

O associado afirma que, somadas as participações dos veículos ligados ao presidente e ao secretário, pelo menos seis carros estariam concentrando 11 horários do transporte universitário. Para ele, essa distribuição reduz as oportunidades de trabalho dos demais associados.

Associados cobram prestação de contas do contrato

Outro ponto levantado é a ausência de prestação de contas sobre os valores recebidos por meio do contrato com a Prefeitura.

Segundo o denunciante, desde que Marcos Paulo assumiu a presidência, os associados não recebem informações claras sobre os recursos envolvidos no acordo e a forma como são administrados.

Ele também demonstra preocupação com a possibilidade de a gestão municipal desconhecer os problemas relatados na distribuição dos horários e na situação dos veículos utilizados no serviço.

Denúncia questiona rodízio na linha Feira de Santana x Teodoro Sampaio

As reclamações também envolvem a linha Feira de Santana x Teodoro Sampaio, que, segundo o denunciante, representa uma oportunidade de aumentar o faturamento dos motoristas.

De acordo com o relato, os profissionais realizam um sistema de rodízio para utilizar o roteiro. Entretanto, o presidente estaria restringindo a quantidade de viagens realizadas por alguns veículos, enquanto carros ligados ao seu grupo continuariam fazendo o percurso de maneira frequente.

O denunciante cita especialmente um veículo conduzido pelo irmão do presidente, que, segundo ele, realizaria o trajeto sem as mesmas restrições impostas aos demais motoristas.

“O roteiro nos dá a chance de trabalhar um pouco mais e, assim, termos a oportunidade de faturar melhor. Porém, o presidente se achou no direito de proibir alguns carros de fazer mais viagens”, relata.

Motoristas questionam valores dos vales-transporte

Outra insatisfação diz respeito aos vales-transporte comercializados pela associação junto a empresas.

Conforme o relato, cada vale é vendido às empresas por R$ 13,50, mas os motoristas recebem apenas R$ 8,50 por unidade. O denunciante compara o repasse à tarifa atualmente cobrada dos passageiros, de R$ 10,20, e considera a diferença prejudicial aos profissionais.

Ele também aponta dificuldades para repassar os vales e afirma que, em algumas situações, os bilhetes vencem enquanto estão sob responsabilidade dos motoristas. Nessas circunstâncias, segundo a denúncia, a diretoria se recusaria a ressarcir os valores.

Denunciante relata medo de represálias

Além das questões administrativas e financeiras, o denunciante afirma que alguns associados evitam questionar as decisões da diretoria por receio de represálias.

Como exemplo, relata um episódio em que o presidente teria dito a um integrante da associação, filho de um associado, que, caso estivesse insatisfeito, deveria procurar trabalho na linha de Amélia Rodrigues.

O denunciante considera que a postura da atual gestão desrespeita os integrantes da entidade e se distancia do propósito de uma associação, que deveria representar e defender os interesses coletivos.

O FALA GENEFAX deixa espaço aberto para que a diretoria da ASCAVER, o presidente Marcos Paulo, o secretário Flávio Moraes e a Prefeitura de Conceição do Jacuípe se manifestem sobre as reclamações apresentadas.

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