Flávio Bolsonaro deixa 16 perguntas sem resposta em debate com Lula

Levantamento aponta que senador respondeu diretamente a apenas cinco questionamentos.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) deixou de responder diretamente à maior parte dos questionamentos feitos durante o primeiro debate do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), realizado neste domingo (18), pela TV Bandeirantes.

Segundo levantamento realizado a partir da íntegra da transmissão, Flávio recebeu 21 perguntas de Lula e da mediação. Desse total, respondeu diretamente a cinco, apresentou respostas parciais a 11 e, em outras cinco, mudou de assunto ou contra-atacou sem esclarecer o ponto principal. A classificação considera o conteúdo das respostas, e não a ausência de manifestações do candidato.

Lula cobra explicações sobre R$ 134 milhões e compra de imóvel

Um dos momentos de maior tensão aconteceu quando Lula questionou Flávio sobre uma negociação de R$ 134 milhões com o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, relacionada à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente retomou o assunto diversas vezes e cobrou esclarecimentos sobre a movimentação dos recursos.

Flávio afirmou que o dinheiro seria destinado à produção cinematográfica e sustentou que já havia prestado explicações sobre o caso. Entretanto, não detalhou o percurso dos valores durante o debate.

Lula também questionou a compra de um imóvel avaliado, segundo sua própria declaração, em R$ 10 milhões, mencionando uma possível ligação de parte do pagamento com recursos do Banco de Brasília (BRB).

Em resposta, Flávio defendeu o direito de adquirir patrimônio com recursos do próprio trabalho e direcionou críticas ao filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O senador não esclareceu especificamente a questão levantada sobre o BRB.

Voto contra ampliação da licença-maternidade provoca discussão

Outro confronto ocorreu quando Lula questionou Flávio sobre um voto dado em 2009, durante seu mandato como deputado estadual do Rio de Janeiro.

De acordo com o questionamento do presidente, Flávio teria sido o único parlamentar da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) a votar contra uma proposta que ampliava em dois meses a licença-maternidade das servidoras da instituição.

O senador negou ter qualquer posição contrária às mulheres, mencionou sua esposa e suas filhas e passou a abordar suspeitas relacionadas a pessoas próximas à família de Lula.

Apesar da insistência do presidente, Flávio não apresentou uma justificativa específica para o voto mencionado.

Milei, hospitais federais e atuação de Flávio entram no confronto

Lula também perguntou se o adversário considera o presidente argentino Javier Milei uma referência para sua eventual gestão e se adotaria uma política semelhante de cortes de despesas públicas.

Flávio evitou estabelecer uma comparação direta com Milei. Em vez disso, criticou as relações internacionais do governo petista e prometeu combater a corrupção.

O presidente ainda questionou a situação dos seis hospitais federais do Rio de Janeiro. Flávio contestou as declarações de Lula, classificando-as como falsas, mas não apresentou respostas específicas sobre as unidades.

Em outro momento, Lula cobrou explicações sobre a atuação do senador em um caso envolvendo um policial acusado de matar uma criança de cinco anos.

Flávio defendeu que o exercício da advocacia não deve ser criminalizado e ressaltou que o policial ainda não havia sido julgado. Contudo, não detalhou sua participação no episódio.

Desafio para abertura de sigilos também fica sem definição

Na reta final do debate, Lula desafiou Flávio Bolsonaro a abrir os sigilos bancário e telefônico das duas famílias e apresentar os documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) antes da votação.

O senador afirmou não ter nada a esconder e voltou a acusar o presidente de receber recursos irregulares. Entretanto, não aceitou nem recusou expressamente a proposta durante a transmissão.

Apesar das cobranças, Flávio também atacou Lula ao longo do encontro. O candidato do PL levantou questionamentos sobre investigações envolvendo pessoas próximas ao presidente, incluindo seu filho Lulinha, e criticou a condução do governo federal.

O debate foi marcado por acusações mútuas, interrupções e discussões sobre corrupção, segurança pública e economia. Lula também recebeu críticas por respostas consideradas insuficientes em determinados momentos.

O encontro ocorreu a uma semana do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.

 

 

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