Pedreiro viaja mais de 2 mil km por amor e descobre que namorada era criada por IA

Homem de 49 anos deixou o Maranhão e passou mais de 36 horas na estrada para encontrar uma mulher que conheceu nas redes sociais

O que parecia ser o início de uma história de amor terminou em uma grande decepção para o pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos. Ele percorreu mais de 2 mil quilômetros, saindo de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para conhecer uma mulher por quem acreditava estar apaixonado. Entretanto, ao chegar ao destino, descobriu que a suposta namorada não existia: tratava-se de uma personagem criada por inteligência artificial (IA).

Divorciado, Edimar conheceu a mulher pelas redes sociais, onde ela se apresentava como Jéssica Oliveira, também conhecida como Jéssica Fazendeira. O perfil, que reúne mais de 300 mil seguidores, publica vídeos de uma mulher que afirma procurar um companheiro para compartilhar a vida em uma fazenda.

Segundo o pedreiro, as mensagens que recebia o fizeram acreditar na possibilidade de construir um relacionamento. A personagem chegou a prometer ajuda com as despesas da viagem e uma vida ao lado dela no interior de Minas Gerais.

Pedreiro percorreu mais de 2 mil quilômetros para encontrar o amor

Determinado a conhecer a suposta companheira, Edimar deixou Imperatriz na sexta-feira (9) e embarcou em uma viagem de ônibus que durou mais de 36 horas. Ele chegou a Belo Horizonte no domingo (11), cheio de expectativas.

No entanto, havia um problema: o trabalhador não tinha o endereço da mulher que pretendia encontrar.

Sem conseguir localizá-la, Edimar começou a circular pela capital mineira mostrando fotografias da suposta namorada e perguntando aos moradores se alguém a conhecia.

Apesar das tentativas, ninguém soube informar quem era Jéssica. Posteriormente, o pedreiro recebeu a informação de que a mulher dos vídeos havia sido criada com recursos de inteligência artificial.

A personagem apresentava aparência e voz realistas, além de respostas automáticas nas redes sociais, características que contribuíram para que Edimar acreditasse estar conversando com uma pessoa verdadeira.

Pedreiro viaja 2 mil km por amor
Reprodução redes sociais

Solidão motivou busca por relacionamento

Durante entrevistas, Edimar revelou que enfrentava momentos de solidão e que a morte da mãe havia afetado sua relação com a cidade onde morava.

“Às vezes, uma solidão dentro de casa acaba trazendo muito transtorno na vida da gente. Por isso que eu vim atrás dela”, relatou.

O trabalhador também contou que a suposta companheira nunca havia solicitado dinheiro, o que reduziu suas desconfianças sobre o perfil.

Entretanto, a viagem acabou comprometendo seus recursos financeiros, e ele precisou buscar ajuda para deixar Belo Horizonte.

Prefeitura ajuda pedreiro a retornar ao Tocantins

Depois de descobrir que a mulher não existia, Edimar procurou atendimento na Unidade de Acolhimento e Atendimento ao Migrante da Prefeitura de Belo Horizonte.

O serviço municipal ofereceu alimentação, acesso a banho e orientações sobre os riscos de perfis falsos e possíveis golpes praticados nas redes sociais.

Após avaliar a situação, a equipe de assistência social providenciou uma passagem para o trabalhador seguir viagem ao Tocantins, seu estado de origem.

Edimar deixou Belo Horizonte na tarde de terça-feira (13), depois de desistir de encontrar a mulher e decidir não retornar para Imperatriz.

 

 

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