Enem 2026: cartilha do Inep reforça proibição de “repertórios de bolso” na redação
Documento orienta estudantes sobre a prova, apresenta exemplos de textos nota mil e detalha critérios de avaliação

Os estudantes que vão fazer o Enem 2026 já podem acessar a nova edição da cartilha “A Redação do Enem 2026 – Cartilha do Participante”, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
O documento está disponível no portal do Inep e reúne as principais orientações sobre a prova de redação, além de exemplos comentados de textos que alcançaram nota máxima na edição anterior.
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Pelo segundo ano seguido, a cartilha traz uma orientação explícita sobre uma regra que já existia em edições anteriores: a proibição dos chamados “repertórios de bolso”.
O que são os “repertórios de bolso”?
Segundo o Inep, “repertórios de bolso” são referências prontas, memorizadas e frequentemente utilizadas pelos participantes de forma genérica e pouco aprofundada, sem uma conexão genuína com o tema proposto.
A cartilha explica que é como se fosse um repertório “guardado no bolso” para ser utilizado em qualquer tema, mesmo quando não é totalmente adequado ou pertinente.
O Inep destaca que a Competência II da redação exige que o participante utilize repertórios socioculturais legitimamente relacionados ao tema. Para isso, as referências devem:
- ser pertinentes ao assunto tratado;
- ser bem contextualizadas e articuladas com os argumentos;
- demonstrar que o participante sabe relacionar o conhecimento ao problema discutido.
Caso o avaliador perceba que o repertório foi utilizado de maneira decorada, automática ou forçada, ele poderá ser considerado não produtivo e prejudicar a nota da Competência II.
Exemplo de repertório de bolso no Enem
A Cartilha do Participante do Enem 2026 apresenta como exemplo um trecho de redação sobre o tema do Enem 2025, “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.
No texto, o participante afirma que Aristóteles considerava o homem um “animal político” e utiliza a referência para introduzir a discussão sobre o envelhecimento na sociedade brasileira.
Segundo a justificativa apresentada pelo Inep, a referência ao pensamento de Aristóteles é ampla e versátil, mas apresenta baixa pertinência ao tema porque a ideia de que o indivíduo vive em comunidade não é desenvolvida para explicar aspectos específicos da condição das pessoas idosas no Brasil.
Para o instituto, o texto passa diretamente da citação para a afirmação de que o tema precisa ser discutido, sem estabelecer uma relação lógica de causa, consequência ou exemplificação entre o conceito filosófico e a problemática.
Dessa forma, segundo a cartilha, o repertório assume uma função meramente ornamental e introdutória, sem contribuir efetivamente para o fortalecimento da argumentação.
O que mudou na correção dos repertórios em 2025?
De acordo com a cartilha, tanto em 2025 quanto em 2026, o repertório sociocultural interfere na Competência II da redação.
No entanto, documentos enviados aos corretores do Enem 2025 traziam orientações que não haviam sido divulgadas publicamente. Entre elas estava a ampliação do peso dado ao repertório sociocultural, com erros podendo levar à penalidade em duas competências, e não em apenas uma.
Um documento extra, enviado por e-mail aos corretores depois dos treinamentos presenciais, estabelecia que a Competência II deveria dialogar com a Competência III.
Com isso, repertórios socioculturais avaliados negativamente pela banca passaram a ser punidos em duas competências.
Segundo professores ouvidos pela reportagem, essa teria sido a principal explicação para a queda inesperada nas notas de muitos alunos.
À época, o Inep negou qualquer alteração nos critérios.
A chamada “dupla punição” não estava prevista na Cartilha dos Candidatos de 2025 e continua fora da edição de 2026.
Como será a redação do Enem 2026?
Os candidatos terão de escrever um texto dissertativo-argumentativo de até 30 linhas, a partir da situação-problema apresentada na prova.
Serão considerados os conhecimentos adquiridos pelo estudante ao longo de sua formação, além daqueles apresentados nos textos motivadores.
A correção será feita por, no mínimo, dois avaliadores independentes. Cada um atribuirá uma nota de 0 a 200 pontos em cinco competências. Somadas, as competências podem chegar a 1.000 pontos.
A nota final será calculada pela média aritmética das notas atribuídas pelos corretores.
O que pode levar a redação a nota zero?
De acordo com a cartilha, podem levar à nota zero situações como:
- fuga total ao tema;
- redação com até sete linhas;
- inserção de trechos desconectados do assunto;
- não seguir a estrutura dissertativo-argumentativa;
- desrespeitar a seriedade do exame.
O que será avaliado na redação?
Segundo o documento, os avaliadores observarão se o estudante:
- domina a modalidade escrita formal da língua portuguesa;
- organiza informações, fatos e argumentos de forma consistente;
- utiliza mecanismos linguísticos adequados para a argumentação;
- apresenta uma proposta de intervenção para o problema discutido.
Enem é usado para acesso ao ensino superior
Criado há mais de duas décadas, o Enem se consolidou como a principal porta de entrada para a educação superior no Brasil.
As notas podem ser utilizadas para concorrer a vagas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) e pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Além disso, diversas instituições públicas e privadas utilizam o exame como critério de seleção, de forma exclusiva ou complementar.
Os resultados individuais também podem ser aproveitados em universidades portuguesas que têm convênio com o Inep, facilitando o ingresso de brasileiros no ensino superior em Portugal.
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