Professor de Feira de Santana enfrenta diálise e busca recuperar autonomia
Matheus Paim passou seis meses internado, faz fisioterapia para retomar movimentos e tenta reunir condições clínicas para avaliação de um transplante renal

O professor de inglês Matheus Paim, de 30 anos, enfrenta uma nova etapa de recuperação após passar seis meses internado. Morador de Feira de Santana, ele depende de diálise, utiliza cadeira de rodas e faz fisioterapia para recuperar os movimentos das mãos e voltar a realizar atividades cotidianas com mais independência.
Pai de duas meninas, Matheus também busca ganhar peso e alcançar as condições clínicas necessárias para que a possibilidade de um transplante renal seja avaliada. O procedimento ainda é uma perspectiva e depende de análise médica individual.
Matheus nasceu com apenas um rim e descobriu, aos 24 anos, que o órgão já não funcionava. Ele começou a fazer hemodiálise em agosto de 2020.
Em janeiro de 2021, passou para a diálise peritoneal, modalidade que pode ser realizada em casa. A escolha permitiu que ele mantivesse parte da rotina profissional. Na época, Matheus trabalhava como professor nos três turnos e participava ativamente dos cuidados com as filhas e das tarefas domésticas.
Nos anos seguintes, conforme seu relato, ele enfrentou complicações de saúde, cirurgias, uma infecção grave e diferentes procedimentos para retirada de calcificações. Matheus também passou por uma cirurgia para remoção das paratireoides e sofreu uma lesão grave em um dos braços.
Atualmente, ele precisa de ajuda para atividades como tomar banho e se alimentar. A fisioterapia é voltada principalmente à recuperação dos movimentos dos dedos e ao fortalecimento do corpo após o longo período de internação.
Matheus pretende voltar a escrever, tomar banho sozinho e brincar com as filhas com mais liberdade.
Família organiza campanha para custear recuperação
O afastamento do trabalho e as despesas médicas também afetaram a renda da família. Matheus relatou que passou a pagar as mensalidades do plano de saúde após cerca de um ano aposentado.
A mãe e a esposa organizaram uma campanha de arrecadação para ajudar principalmente no pagamento de fisioterapia intensiva em domicílio, acompanhamento médico e mensalidades atrasadas do plano de saúde.
Campanha destaca a vida além do tratamento
A história de Matheus foi divulgada durante a campanha “A Vida Além da Diálise”, promovida pela Associação Brasileira dos Centros de Diálise e Transplantes (ABCDT). A mobilização de 2026 propôs a pergunta “Quem eu sou além da diálise?” e buscou mostrar que pacientes mantêm famílias, profissões e projetos de vida para além do diagnóstico. A campanha foi realizada no Dia Nacional da Diálise, em 27 de agosto.
A data foi instituída pela Lei nº 14.650/2023 e é lembrada anualmente na última quinta-feira de agosto. A legislação prevê ações de conscientização sobre doenças renais, fatores de risco e tratamentos.
A diálise substitui parte das funções que os rins deixaram de realizar. Na hemodiálise, uma máquina filtra o sangue. A diálise peritoneal utiliza uma membrana localizada no abdome e pode ser feita em casa. Segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, a definição da modalidade depende das condições clínicas e da avaliação do nefrologista.
Na Bahia, 9.841 pessoas realizavam hemodiálise regularmente e 215 faziam diálise peritoneal, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado divulgados pela ABCDT em outubro de 2025 e reproduzidos pelo Portal ComSaúde.
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