O que realmente determina como envelhecemos? Estudo encontra pistas além da genética

Pesquisa publicada na revista Cell analisou 322 adultos

O envelhecimento humano não depende apenas da genética. Uma pesquisa internacional identificou que a ancestralidade e o ambiente onde uma pessoa vive estão associados a diferenças no metabolismo, no sistema imunológico, no microbioma intestinal e na idade biológica.

Publicado na revista científica Cell, o estudo analisou amostras de 322 adultos saudáveis com ancestralidade europeia, sul-asiática e leste-asiática. Os participantes viviam em diferentes regiões da Ásia, Europa e América do Norte. O artigo está disponível na base PubMed.

Estudo avaliou diferentes características do organismo

Os pesquisadores utilizaram uma abordagem conhecida como multiômica. O método reúne informações sobre genes, proteínas, gorduras, metabólitos, metais e microrganismos presentes no organismo.

Essa análise permitiu observar como características relacionadas à ancestralidade e ao local de moradia aparecem em diferentes sistemas biológicos.

Segundo os resultados, a ancestralidade esteve associada a características moleculares relacionadas ao metabolismo, à resposta imunológica, à ação de medicamentos e a mecanismos envolvidos em doenças neurodegenerativas.

O ambiente geográfico também apresentou relação com mudanças no microbioma intestinal e em processos envolvendo colesterol, ácidos biliares, inflamação e produção de energia.

Local de moradia foi associado à idade biológica

A idade biológica é uma estimativa de como as células e os tecidos estão envelhecendo. Ela pode ser diferente da idade cronológica, determinada pelo número de anos vividos.

Entre os participantes com ancestralidade leste-asiática, aqueles que viviam em regiões ancestrais da Ásia apresentaram idade biológica menor em comparação com integrantes do mesmo grupo que moravam em outros continentes.

No grupo de ancestralidade europeia, os participantes residentes nos Estados Unidos e no Canadá apresentaram idade biológica menor do que aqueles que viviam na Europa.

Os pesquisadores destacam que esses resultados não significam que determinado país ou continente faça todas as pessoas envelhecerem mais rapidamente. As diferenças podem envolver uma combinação complexa de alimentação, hábitos, exposições ambientais e composição do microbioma.

Pesquisa não estabelece relação de causa e efeito

O estudo é transversal, ou seja, analisou os participantes em um período específico. Por isso, os resultados apontam associações, mas não comprovam que o local de moradia seja responsável direto pelas diferenças encontradas.

A quantidade de participantes também foi limitada, e a pesquisa avaliou apenas três grandes grupos de ancestralidade. Os próprios cientistas afirmam que novos estudos, com populações maiores e acompanhamento de longo prazo, serão necessários.

Apesar das limitações, os resultados reforçam que o envelhecimento é um processo influenciado pela interação entre genética e ambiente. A descoberta também pode contribuir para pesquisas futuras sobre prevenção de doenças e tratamentos personalizados. A Universidade Stanford classificou os achados como preliminares.

FALA GENEFAX quer ouvir você!

Viu algo importante acontecendo no seu bairro? 📷🎥
Mande fotos e vídeos para o nosso WhatsApp (75) 99190-1606

Sua colaboração pode virar destaque!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Botão Voltar ao topo
Web Statistics