Por que recebemos tantas ligações indesejadas e como bloquear esse incômodo?

Empresas reclamam de chamadas legítimas bloqueadas, enquanto Anatel aposta no Origem Verificada para combater robocalls, spoofing e golpes por telefone.

A disputa entre empresas de telefonia em torno do bloqueio de ligações indesejadas chegou à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e reacendeu o debate sobre até onde as operadoras podem ir para derrubar chamadas consideradas abusivas.

O centro da polêmica é o Anti Spam da Vivo, sistema que promete bloquear ligações inconvenientes diretamente na rede da operadora, sem necessidade de aplicativo. A própria Vivo informa que a ferramenta analisa o comportamento das chamadas e usa algoritmos para identificar e bloquear contatos considerados suspeitos.

O problema é que empresas do setor alegam que chamadas legítimas também estariam sendo barradas. Segundo apuração publicada por veículos especializados, a controvérsia já gerou reclamações e processos administrativos na Anatel, com questionamentos sobre a forma como o bloqueio é feito e sobre o risco de prejudicar serviços essenciais ou atendimentos válidos.

A polêmica mostra a dificuldade de separar, em tempo real, o que é ligação abusiva, golpe, telemarketing insistente ou chamada legítima. Parte do problema está nas chamadas automatizadas, conhecidas como robocalls, que muitas vezes ficam mudas e caem em poucos segundos. Desde 2022, a Anatel adota medidas cautelares para bloquear usuários que fazem uso inadequado do serviço telefônico, especialmente chamadas curtas em volume excessivo.

Outro desafio é o chamado spoofing numérico, prática em que o número exibido na tela do celular pode ser mascarado para parecer legítimo. A Anatel afirma que a autenticação de chamadas dificulta esse tipo de fraude, pois ajuda a confirmar se o número apresentado pertence realmente ao chamador.

A principal aposta da agência é o Origem Verificada, sistema de autenticação e identificação de chamadas. A tecnologia valida o número de origem e pode exibir ao consumidor selo de verificação, nome da empresa, logomarca e motivo da ligação, quando essas informações estiverem disponíveis.

Pelas regras definidas pela Anatel, grandes chamadores, que realizam mais de 500 mil chamadas por mês por prestadora, devem autenticar suas ligações. A norma prevê implementação progressiva e obrigatoriedade para todas as chamadas no país dentro do prazo de três anos.

Enquanto o novo modelo não se consolida, consumidores ainda podem recorrer a ferramentas como o Não Me Perturbe, que ajuda a bloquear ofertas de empresas de telecomunicações e instituições financeiras participantes. A própria Anatel também orienta o uso da plataforma Qual Empresa Me Ligou, que permite consultar o nome e o CNPJ associados ao número que fez a chamada.

A expectativa é que o Origem Verificada reduza golpes e chamadas fraudulentas, sem impedir ligações legítimas. No entanto, a disputa envolvendo o anti-spam da Vivo mostra que o equilíbrio entre proteção ao consumidor, liberdade de comunicação e segurança das redes ainda será um dos principais desafios do setor de telecomunicações nos próximos anos.

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