SINAL DE ALERTA: Tarifas dos EUA no agro baiano atingem 1,8% das exportações e acendem alerta no setor
Estudo aponta efeito geral limitado, mas identifica riscos para produtos e regiões dependentes do mercado norte-americano

As tarifas dos EUA no agro baiano devem atingir diretamente 1,8% das exportações do setor. A estimativa consta em um estudo técnico da assessoria econômica do Sistema Faeb/Senar.
Embora o impacto geral seja limitado, a cobrança se concentra em determinados produtos. Além disso, algumas regiões da Bahia dependem mais das vendas ao mercado norte-americano.
Entre julho e dezembro de 2025, o agronegócio baiano exportou US$ 3,6 bilhões. Desse total, US$ 222,54 milhões seguiram para os Estados Unidos, o equivalente a 6,1%.
O governo norte-americano estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% para parte dos produtos brasileiros. Essa cobrança pode se somar à tarifa adicional de 25% aplicada a itens específicos. Assim, algumas mercadorias podem enfrentar uma alíquota acumulada de 37,5%.
Segundo o levantamento, 68% das vendas do agro baiano aos Estados Unidos permanecem isentas. Esse grupo representa US$ 151,54 milhões.
Por outro lado, as tarifas adicionais atingem 29,1% dos embarques. Essa parcela equivale a US$ 64,73 milhões.
Outros US$ 6,27 milhões, ou 2,8% das vendas, ainda aguardam uma definição técnica sobre o enquadramento. Portanto, o efeito direto alcança uma pequena parte das exportações estaduais.
No entanto, a distribuição desigual preocupa produtores e empresas mais dependentes dos compradores norte-americanos.
Pasta de madeira concentra maior impacto
A pasta química de madeira para dissolução lidera a lista de produtos afetados. No segundo semestre de 2025, a Bahia exportou US$ 49,43 milhões desse produto para os Estados Unidos.
Agora, a mercadoria pode enfrentar uma tarifa acumulada de até 37,5%. Sozinha, essa cadeia representa cerca de 76% de todo o valor tarifado do agronegócio baiano.
Em contraste, outros produtos importantes seguem na lista de exceções. Além disso, a celulose convencional movimentou US$ 51,83 milhões no período.

Além disso, manteiga e óleo de cacau somaram US$ 38,68 milhões. As exportações de manga chegaram a US$ 31,46 milhões.
Água de coco, cacau em pó e café em grão também permanecem fora das novas cobranças.
Sisal e outras cadeias regionais exigem atenção
O sisal aparece entre os segmentos mais vulneráveis. As exportações de cordéis do produto para os Estados Unidos somaram US$ 6,63 milhões.
Segundo o estudo, entre 70% e 80% das vendas baianas desse item dependem do mercado norte-americano. Sobre os cordéis passa a incidir a tarifa adicional de 12,5%.
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O mel natural, com US$ 1,72 milhão exportado, também será tributado. A mesma alíquota alcança parte dos pescados, cujas vendas somaram US$ 3,45 milhões.
No caso dos pescados, a medida atingiu 80,4% dos embarques destinados aos Estados Unidos. Calçados de couro e uvas frescas podem enfrentar tarifas acumuladas de até 37,5%.
Uma simulação considera uma queda de 30% nas vendas ao mercado norte-americano. Nesse cenário, a Bahia perderia US$ 19,42 milhões.
O recuo representaria 0,53% do total exportado pelo agronegócio estadual. Diante disso, o Sistema Faeb/Senar defende novos mercados, apoio às cadeias mais expostas e medidas para aumentar a competitividade.
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