Dois novos casos ampliam lista de pacientes curados do HIV
Número mundial chega a 13, mas especialistas alertam que o transplante envolve riscos elevados.

Dois novos casos de remissão prolongada do HIV serão apresentados na 26ª Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os registros dos pacientes conhecidos como Ascent e Kansas City, o número de pessoas consideradas curadas ou em remissão sustentada após transplantes de células-tronco chega a 13 no mundo.
Os casos integrarão uma sessão sobre pesquisas para a cura do HIV nesta quarta-feira (29). Antes da apresentação oficial, o imunologista Christian Gaebler, da Charité Universitätsmedizin Berlin, antecipou os resultados durante uma pré-conferência promovida pela International AIDS Society.
O paciente de Kansas City tem 21 anos e permanece sem rebote do vírus há 14 meses, mesmo depois de interromper a terapia antirretroviral. Ele recebeu o diagnóstico de HIV em 2018 e, dois anos depois, desenvolveu leucemia aguda. Para tratar o câncer, os médicos realizaram um transplante com células de uma doadora compatível e portadora da mutação CCR5-delta32.
Essa alteração genética dificulta a entrada da maioria das variantes do HIV nas células de defesa. Além disso, os exames não identificaram vírus capaz de se multiplicar no organismo do paciente. No entanto, os pesquisadores ainda evitam declarar uma cura definitiva, pois o acompanhamento após a suspensão dos medicamentos continua relativamente curto.
O paciente Ascent também recebeu células de um doador com a mutação CCR5-delta32. Após o transplante e mais de quatro anos de acompanhamento, a equipe médica suspendeu os antirretrovirais. Doze meses depois, a carga viral seguia indetectável.
Transplante não é tratamento para todas as pessoas
Apesar dos resultados, especialistas reforçam que o transplante de células-tronco não representa uma alternativa para a população que vive com HIV. O procedimento envolve riscos elevados e foi realizado para tratar leucemia ou outras doenças graves do sangue, não para eliminar o vírus.
Por isso, a terapia antirretroviral continua sendo o tratamento seguro e eficaz para controlar o HIV. Quando usada corretamente, ela reduz a carga viral a níveis indetectáveis e impede a transmissão sexual do vírus.
A relevância científica dos novos casos está na possibilidade de compreender como o transplante, a mutação genética e a resposta imunológica contribuíram para reduzir os reservatórios do HIV. Esses conhecimentos podem orientar estudos com terapias gênicas, imunoterapias e anticorpos capazes de controlar o vírus sem o uso contínuo de medicamentos.
A AIDS 2026 reúne pesquisadores, profissionais de saúde, representantes governamentais e organizações da sociedade civil no Riocentro. A programação acontece entre 26 e 31 de julho, com debates sobre prevenção, tratamento e pesquisas para a cura do HIV.
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