Menino de 1 ano morre após prender a cabeça em grade dentro de creche

Um menino de 1 ano e 4 meses morreu na manhã de quarta-feira (22/7) após prender a cabeça em uma grade metálica dentro da Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo. O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás).
A vítima foi identificada como Abdoulaye Dieng. Segundo as investigações, ele participava de uma atividade em uma sala multiuso da unidade quando se aproximou de um espelho protegido por uma barra de ferro.
Imagens das câmeras de segurança analisadas pela polícia mostram que o menino deitou no chão e colocou a cabeça no espaço entre a barra metálica e o espelho. De acordo com os investigadores, ele tentou se soltar por cerca de seis minutos, mas só foi retirado após funcionárias perceberem a situação.
Criança foi levada à UPA, mas não resistiu
Conforme informou a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), policiais militares que faziam patrulhamento na região foram abordados por funcionárias da creche, que já transportavam a criança para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Mooca.
Segundo o boletim de ocorrência, a equipe da Polícia Militar foi acionada por volta das 9h20. Apesar do atendimento médico, Abdoulaye não resistiu e morreu na unidade de saúde.
Pai relata dor da família
O pai da criança, Ibrahima Dieng, natural do Senegal e residente no Brasil há oito anos, contou que deixou o filho na creche por volta das 7h30. Cerca de uma hora e meia depois, recebeu uma ligação informando que o menino havia sofrido um acidente.
Emocionado, ele afirmou que a família está devastada com a perda. Segundo o pai, a mãe da criança também passou mal ao receber a notícia da morte.
Advogado questiona falta de supervisão
O advogado da família, Erson de Oliveira, afirmou que as imagens indicam que o menino estava sem supervisão no momento do acidente.
Segundo ele, se houvesse acompanhamento adequado, a criança poderia ter sido retirada rapidamente do local, evitando a asfixia. A defesa também questiona o fato de a creche ter levado o menino até a UPA em vez de acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou o Corpo de Bombeiros.
Além de acompanhar a investigação criminal, a família pretende ingressar com uma ação na Justiça pedindo indenização.
Polícia investiga o caso
O local foi periciado pelo Instituto de Criminalística, enquanto o Instituto Médico Legal (IML) realizou o exame necroscópico. Os laudos devem esclarecer as circunstâncias da morte.
O boletim de ocorrência cita cinco profissionais da creche entre os investigados, incluindo coordenadoras, diretoras e pedagogas. Até o momento, ninguém foi preso.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação lamentou profundamente o ocorrido, prestou solidariedade à família e informou que está colaborando com as investigações. O órgão afirmou ainda que adotará as medidas cabíveis após a conclusão da apuração dos fatos.
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