Prefeito de cidade baiana ameaça demitir servidores que não apoiarem a reeleição de seu candidato
Declaração foi feita em vídeo publicado ao lado do vice-prefeito

O prefeito de Água Quente, Érico Cardoso, Eraldo Félix (Republicanos), causou repercussão ao publicar um vídeo nas redes sociais no qual ameaça demitir servidores municipais que não apoiarem o projeto de reeleição do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).
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Na gravação, publicada ao lado do vice-prefeito Deivison Mendonça, o gestor utiliza comparações com uma partida de futebol para afirmar que os funcionários da administração precisam seguir as orientações políticas do grupo comandado por ele.
“Quem não tiver a fim de fazer parte desse time, pede para sair logo agora. Porque a hora é agora, para não me dar sequer a decepção de ter que mandá-los embora”, declarou o prefeito. Em seguida, Eraldo afirmou que ele e Deivison seriam os “técnicos” da equipe e que os servidores deveriam jogar conforme a escalação definida pela dupla.
O prefeito também disse que não admitiria que integrantes da gestão fizessem “gol contra”. Segundo ele, as regras deveriam estar claras para todos os servidores e apoiadores da administração municipal.
“Ou você joga contra o gol do adversário, ou eu não vou admitir que você queira fazer gol contra”, afirmou. Em outro momento, reforçou que aqueles que não estiverem dispostos a apoiar o grupo devem pedir para sair da gestão.
Obras são citadas durante discurso
Durante o pronunciamento, Eraldo Félix relacionou o apoio ao governador à realização de obras no município, anteriormente chamado de Água Quente. Entre os projetos mencionados está a pavimentação da estrada que liga a sede de Érico Cardoso à comunidade do Morro do Fogo.
O local recebe nesta quarta-feira (15) a tradicional Festa e Romaria de Nossa Senhora do Carmo. Segundo o prefeito, a obra já teria sido discutida diretamente com Jerônimo Rodrigues.
“Já estive com Jerônimo, já tratamos do assunto e, com a permissão de Deus, haverá de chegar também esse novo sonho”, declarou.
Ao concluir o vídeo, o gestor voltou a mencionar a possibilidade de desligar servidores que não seguirem o posicionamento político defendido pela administração.
“Ou joga nesse time, ou pede para sair. Porque senão, eu não quero ter a tristeza de mandar embora, mas, se necessário for, pode ter certeza, farei com a maior serenidade e tranquilidade possível”, afirmou.
Declaração pode gerar questionamentos
De acordo com orientações do Ministério Público do Trabalho, o assédio eleitoral pode ser caracterizado por atos de coação, intimidação, ameaça ou constrangimento destinados a influenciar o voto, o apoio ou a manifestação política de trabalhadores.
A definição também abrange ameaças de prejuízo ao emprego e manifestações feitas em redes sociais ou outros ambientes relacionados ao trabalho. As orientações incluem empregados, servidores públicos, terceirizados, estagiários e outras pessoas submetidas a uma relação de trabalho.
O Tribunal Superior Eleitoral também reúne decisões nas quais a intimidação de servidores e a exigência de participação em campanhas, sob ameaça de perda de cargos, foram analisadas como possível abuso de poder político. A eventual responsabilização, no entanto, depende da apuração dos fatos, das provas apresentadas e de uma decisão das autoridades competentes.
Até o momento, não há informação de que algum servidor tenha sido efetivamente demitido em razão de posicionamento político.
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