Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas clássicas como Pantanal e O Rei do Gado, aos 94 anos
Dramaturgo e escritor faleceu em São Paulo, devido a complicações de insuficiência renal crônica.

Morreu Benedito Ruy Barbosa nesta terça-feira (7/7), aos 94 anos, em São Paulo. O dramaturgo e escritor, considerado um dos maiores autores da história da televisão brasileira, faleceu em decorrência de complicações causadas por insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor), onde ele estava em tratamento.
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O velório será realizado nesta terça-feira, das 15h às 21h, no Funeral Home, localizado no bairro da Bela Vista, na capital paulista. A cerimônia será aberta ao público entre 15h e 16h.
Em janeiro deste ano, Benedito Ruy Barbosa permaneceu internado por 19 dias no HCor para tratar uma infecção urinária associada à insuficiência renal crônica. Desde então, seu estado de saúde inspirava cuidados.
Um dos maiores autores da televisão brasileira
Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Benedito Ruy Barbosa construiu um dos mais importantes legados da dramaturgia nacional. Suas novelas conquistaram milhões de telespectadores ao retratar o universo rural brasileiro, a força da natureza, os conflitos familiares, a imigração italiana e grandes histórias de amor.
Entre suas principais obras estão:
- Meu Pedacinho de Chão (1971);
- Cabocla (1979);
- Pantanal (1990);
- Renascer (1993);
- O Rei do Gado (1996);
- Terra Nostra (1999);
- Velho Chico (2016).
Em suas produções, os protagonistas eram frequentemente marcados por coragem, honestidade e determinação, características que o próprio autor considerava essenciais em suas histórias.
Da infância simples ao sucesso na televisão
Nascido em 1931, na cidade de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa cresceu em Vera Cruz, região marcada pelos cafezais e pela forte presença de imigrantes italianos e japoneses — cenário que mais tarde inspiraria diversas de suas novelas.
Após perder o pai ainda jovem, precisou trabalhar cedo para ajudar no sustento da família. Exerceu funções como vendedor de verduras, faxineiro e auxiliar comercial antes de ingressar no jornal O Estado de S. Paulo como revisor.
Foi nesse período que desenvolveu sua paixão pela escrita. Seu primeiro romance, Fogo Frio, foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), abrindo caminho para sua carreira como roteirista.
A estreia de Benedito na televisão aconteceu em 1966, na TV Tupi. Após passagens por outras emissoras, consolidou sua carreira na TV Globo, onde escreveu sucessos da faixa das 18h.
Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, revolucionou a televisão brasileira com Pantanal, novela gravada em locações naturais que conquistou enorme audiência e mudou a forma de produzir teledramaturgia no país.
O sucesso levou o autor de volta à Globo, onde escreveu Renascer, outro grande fenômeno da televisão brasileira.
Novelas que marcaram gerações
Nos anos seguintes, Benedito Ruy Barbosa emplacou outros clássicos da TV. O Rei do Gado abordou temas como reforma agrária, disputas familiares e imigração italiana, enquanto Terra Nostra retratou a chegada de milhares de imigrantes italianos ao Brasil no início do século XX.
O dramaturgo também revisitou parte de sua obra. Assinou os remakes de Sinhá Moça (2006) e Meu Pedacinho de Chão (2014), oportunidade em que afirmou ter conseguido realizar ideias que haviam sido censuradas durante a ditadura militar.
Seu último grande trabalho foi Velho Chico, exibida em 2016, novela que retratou conflitos familiares, disputas por terra e a relação entre o homem e o Rio São Francisco.
Reconhecido por transformar paisagens, tradições e costumes do interior do Brasil em protagonistas de suas histórias, Benedito Ruy Barbosa deixa um legado que atravessa gerações e permanece como referência na dramaturgia nacional.
Em um depoimento ao projeto Memória Globo, o autor resumiu a essência de suas obras com uma frase que marcou sua trajetória: “Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor.”
Com sua morte, a televisão brasileira perde um dos escritores mais influentes de sua história, responsável por criar personagens e novelas que permanecem vivos na memória do público.
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