Acusado de matar Mãe Bernadete confessa crime, mas alega que intenção era apenas “dar um susto”
ialorixá rebateu versão da defesa e destacou a brutalidade do crime: "Deu 25 tiros. Imagina se fosse para assassinar?"

O primeiro dia do julgamento dos acusados de assassinar a líder quilombola e ialorixá Maria Bernadete Pacífico, morta no dia 17 de agosto de 2023 em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), foi marcado por confissões e embates no tribunal.
Durante a sessão, o réu Arielson da Conceição Santos assumiu a autoria dos disparos, mas apresentou uma versão que causou forte revolta nos familiares presentes. Ele confessou o crime, contudo, alegou que não tinha a intenção de matar a vítima e que o objetivo da ação era apenas “dar um susto” na líder quilombola.
A estratégia da defesa e a figura de “BZ”
A linha de defesa do acusado foi detalhada pelo advogado Marcos Rudá, que sustentou a tese de que a execução não foi premeditada pelo seu cliente da forma como ocorreu.
“Ele confessa o crime e explica como foi a execução. Demonstrou arrependimento, mas disse que tinha a intenção apenas de dar um susto e que tudo fugiu do controle, muito por uma motivação de uma outra pessoa chamada BZ”, afirmou o defensor.
O indivíduo apontado como “BZ” é Josevan Dionísio dos Santos. Ele foi preso em setembro do ano passado por participação direta no crime e é uma peça-chave na dinâmica do assassinato. Além do depoimento de Arielson, o primeiro dia de júri contou com a oitiva de um dos investigadores que esteve à frente do caso e do neto de Mãe Bernadete, Wellington Pacífico.
Revolta e protesto da família
As justificativas apresentadas pela defesa geraram forte indignação na família da ialorixá, que realizou protestos pedindo punição severa aos responsáveis. Wellington Pacífico relatou que os advogados tentaram blindar o mandante do crime e apontou a contradição óbvia na fala do executor confesso.
“A todo momento, a defesa queria tirar a culpa do chefe de Marílio, queriam inocentá-lo. Já o Arielson teve um depoimento contraditório, pois assumiu que matou, mas disse que queria apenas dar um susto”, declarou Wellington.
O neto da quilombola destacou a desproporção entre a alegação do atirador e a violência empregada no momento do ataque contra a sua avó. “Engraçado que ele disse que não era para matar e deu 25 tiros. Imagina se fosse para assassinar? Espero que amanhã se cumpra e se faça justiça. Pelo que vi hoje, eles vão ser condenados, mas prefiro aguardar”, concluiu.
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