Escritoras amelienses lançam obra na Bienal do Livro da Bahia no dia 18 de abril

O lançamento promete ser um momento de celebração, resistência e valorização da literatura produzida por mulheres negras do interior baiano

O coletivo de escritoras negras de Amélia Rodrigues, Vozes Escreviventes, lança, no próximo sábado (18/4) durante a Bienal do Livro da Bahia, a obra “Vozes Escreviventes: quando a vida escreve a palavra”. A antologia reúne textos de 23 mulheres negras e marca um importante momento de visibilidade e afirmação literária para o município.

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O livro é composto por contos, poemas, artigos, crônicas e relatos que refletem vivências, memórias e experiências compartilhadas. A organização é da escritora Gilmara Belmon, que destaca o propósito coletivo da obra. “A organização da antologia partiu do desejo de aquilombar mulheres que escrevem, pesquisam e produzem, mas que ainda precisam ser vistas”, afirmou.

Segundo Gilmara, a obra carrega um forte potencial transformador. “Esse livro vai ser uma revolução, porque ele traz as nossas escrevivências, partilhas e textos que partem da observação das vivências de outras mulheres negras. São textos que, além das dores, também revelam força e potência.”

A escritora e professora Simone Silva, que também participou da organização da antologia, reforça o caráter político e identitário da publicação. “A vida da mulher negra, por si só, já é uma escrita. Quando iniciamos nossas reuniões, percebemos que nossas histórias se entrelaçam, tanto profissionalmente quanto em nossos processos acadêmicos. Sentimos a necessidade de contar nossas histórias para empoderar outras mulheres e meninas que ainda estão se descobrindo enquanto mulheres negras” pontuou.

Ela destacou ainda que o processo de construção do livro foi marcado por identificação e pertencimento entre as autoras. Para Simone, o livro tem como missão provocar reflexão e ampliar a compreensão sobre a experiência de ser mulher negra na sociedade. “É sobre mostrar o quanto ainda precisamos lutar por nossos direitos e por espaços de escuta”.

Durante o processo de criação da antologia, muitas das participantes também se reconheceram como escritoras pela primeira vez, fortalecendo suas vozes e identidades através da escrita.

Uma dessas mulheres é a pedagoga Avanice Braga. Para ela, a experiência foi transformadora. “Eu não me via como escritora, mas esse processo me fez reconhecer a força da minha própria história. Hoje entendo que minha vivência também é literatura e pode inspirar e transformar a vida de outras pessoas, sobretudo mulheres negras”.

Serviço

  • O quê: Lançamento da antologia Vozes Escreviventes: quando a vida escreve a palavra
  • Onde: Bienal do Livro Bahia | Centro de Convenções de Salvador
  • Localização: Asa A – Stand 14
  • Data e Horário: 18 de abril, das 10h às 13h

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