Justiça concede prisão domiciliar a ex-policial bolsonarista que matou tesoureiro do PT
Crime ocorrido em 2022 foi marcado por intolerância política.

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) determinou a transferência para prisão domiciliar de Jorge Guaranho, ex-policial penal condenado por um dos crimes de maior repercussão política dos últimos anos: o assassinato de Marcelo Arruda, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) em Foz do Iguaçu (PR).
A decisão, proferida no último dia 17 de março, acatou o pedido da defesa, que alegou incapacidade do Estado em fornecer tratamento adequado ao estado de saúde do condenado dentro do sistema penitenciário.
Alegação médica e decisão da Corte
Guaranho havia sido sentenciado, em fevereiro de 2025, a 20 anos de prisão em regime fechado por homicídio duplamente qualificado. No entanto, seus advogados recorreram à Justiça argumentando que o ex-policial sofre de graves sequelas neurológicas, oromandibulares e ortopédicas, decorrentes de um politraumatismo.
Segundo a defesa, o quadro clínico resultou em dores crônicas, limitação de movimentos e comprometimento da autonomia para atividades diárias, incluindo dificuldades severas para se alimentar e engasgos frequentes.
Ao analisar os exames médicos, a Corte paranaense aceitou a justificativa. O documento judicial reconhece que Guaranho necessita de cuidados especializados e conclui:
“É razoável a extensão da prisão domiciliar à pessoa sentenciada do regime fechado, posto que o ambiente prisional não fornece adequadamente as condições para o tratamento de sua enfermidade”.
Intolerância política e o crime
O assassinato de Marcelo Arruda ocorreu na noite de 9 de julho de 2022 e expôs o grau de radicalização ideológica no país. Arruda comemorava seu aniversário de 50 anos em uma festa temática, com decoração em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT.
Apoiador declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jorge Guaranho invadiu o local armado e abriu fogo contra o aniversariante.
Durante o Tribunal do Júri, a defesa de Guaranho tentou sustentar a tese de legítima defesa e desvincular o assassinato de qualquer motivação partidária. A tentativa, contudo, foi rechaçada. Ao ler a sentença condenatória, a juíza Mychelle Pacheco Cintra Stadler, que presidiu o júri, foi categórica: ela enfatizou que Guaranho utilizou uma arma da União para cometer o crime e destacou que toda a ação criminosa foi desencadeada por pura intolerância política.
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