Ciência revela o “ponto G” masculino; confira
Pesquisa espanhola mapeou terminações nervosas e descobriu que o "delta do frênulo" concentra mais sensibilidade do que a própria glande

O corpo humano ainda guarda detalhes que a ciência continua a desvendar. O estudo neuroanatômico mais minucioso já realizado sobre o órgão sexual masculino identificou, com validação científica, qual é a principal zona erógena do pênis.
O mapeamento inédito foi concluído no final do ano passado pelo pesquisador Alfonso Cepeda-Emiliani, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, e traz novas perspectivas para a medicina sexual e urológica.
O “Delta do Frênulo”
Segundo os resultados da pesquisa, a região que concentra a maior sensibilidade recebe o nome de delta do frênulo. Trata-se de uma zona triangular localizada na face ventral (a parte inferior) do pênis, exatamente no ponto onde a glande (popularmente conhecida como a “cabeça” do órgão) se encontra com o corpo cavernoso.

O estudo faz um alerta importante para a comunidade médica: por muito tempo, essa área foi negligenciada nos livros clássicos de anatomia e nos treinamentos cirúrgicos. Os pesquisadores alertam, inclusive, que essa sensível zona de prazer pode acabar sendo lesada durante procedimentos cirúrgicos comuns, como a circuncisão.
Até a publicação deste estudo, guias sexuais e literaturas médicas afirmavam de forma unânime que o principal centro de sensibilidade genital masculina era a glande. No entanto, as novas evidências comprovaram que o delta do frênulo a supera, pois abriga uma densidade significativamente maior de terminações nervosas.
Eric Chung, da Universidade de Queensland, na Austrália, e presidente eleito da Sociedade Internacional de Medicina Sexual, avaliou a descoberta. Para ele, diante dessa forte validação científica, a zona erógena deve ser considerada como o verdadeiro “ponto G” do pênis. “É um dos pontos mais prazerosos para a estimulação sexual masculina”, destacou Chung, que não participou diretamente do estudo.
Os próprios autores da pesquisa ressaltaram a importância prática e científica da comprovação. “Embora isso possa parecer óbvio para qualquer pessoa atenta às sensações do seu pênis durante a atividade sexual, nosso trabalho valida cientificamente a existência de uma região anatômica ventral do pênis que funciona como um centro de sensação sexual”, escreveram.
Para quebrar o antigo paradigma médico, Alfonso Cepeda-Emiliani e sua equipe realizaram um trabalho meticuloso de laboratório. Eles mapearam os nervos sensoriais em 14 pênis de cadáveres de doadores, com idades variando entre 45 e 96 anos.
O processo exigiu precisão: os órgãos foram cortados em seções finíssimas, com apenas alguns micrômetros de espessura. Em seguida, os cientistas aplicaram corantes especiais desenvolvidos para se ligarem aos nervos. O material foi então levado ao microscópio, permitindo que a equipe contasse e mapeasse toda a rede nervosa de prazer do órgão com uma clareza sem precedentes.
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