Doze pessoas são levadas à delegacia após turistas serem baleadas em região de disputa de terras

Doze pessoas foram conduzidas à delegacia nesta terça-feira (24/2), suspeitas de envolvimento no ataque que deixou duas turistas do Rio Grande do Sul baleadas no município de Prado, no extremo sul da Bahia. A informação foi confirmada pela Polícia Federal (PF).

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Segundo apuração preliminar, além do atentado contra as turistas, os conduzidos também seriam investigados por participação em conflitos recentes envolvendo disputas de terra entre indígenas e fazendeiros na região. Todos foram levados para a delegacia de Porto Seguro. Durante a ação policial, cinco armas de fogo e aparelhos celulares foram apreendidos. Os armamentos estavam enterrados em uma área de mata próxima ao local onde as vítimas foram atingidas.

As turistas, de 55 e 57 anos, passavam férias em Corumbau, distrito de Prado, e foram baleadas enquanto seguiam para a praia de Barra do Cahy, a cerca de 44 quilômetros de onde estavam hospedadas. Ao passarem por um bloqueio em uma estrada vicinal, dentro do território indígena de Comexatibá, o veículo em que estavam foi atingido por disparos. Um homem que também estava no carro não foi ferido.

As vítimas receberam os primeiros atendimentos em um posto de saúde de Corumbau e, em seguida, foram transferidas de helicóptero para o Hospital Regional de Porto Seguro. Conforme informações locais, elas passaram por cirurgia e estão fora de risco de morte.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou que determinou reforço imediato do policiamento na região e que a Polícia Civil da Bahia ficará responsável pela investigação do caso.

O Ministério da Justiça informou que a Terra Indígena Comexatibá foi declarada de posse permanente do povo Pataxó em novembro de 2025 e que o processo foi encaminhado à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para continuidade, incluindo a demarcação física da área. A Funai afirmou que acompanha a situação com preocupação e que mantém articulação com órgãos de segurança pública, ressaltando que o processo de demarcação segue em curso e aguarda a fase final de homologação.

O Coletivo de Lideranças Indígenas da Terra Indígena Comexatibá declarou, em nota, que os disparos não partiram de integrantes do movimento de retomada do território. O grupo repudiou os atos de violência e solicitou investigação imparcial e proteção às comunidades indígenas e à população civil diante da tensão na região.

 

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