SANGUE FRIO: Adolescente é investigado por suspeita de matar e torturar cachorro em transmissão ao vivo

A Polícia Civil investiga um adolescente de 17 anos, em Lindolfo Collor, cidade a 55 km de Porto Alegre, por torturar e matar um cachorro durante uma transmissão pela internet. No vídeo de cerca de 2min45seg, que circula nas redes sociais, aparecem imagens do estrangulamento e esquartejamento do animal.
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Conforme a delegada Raquel Peixoto, o suspeito deve se apresentar junto ao advogado constituído, até a terça-feira (28/12), na delegacia de Ivoti. Porém, o adolescente já admitiu informalmente a autoria dos maus-tratos.
“O ato em si não tem nem o que falar. É de uma crueldade muito grande. Foi duas ou três vezes para conseguir ver até o final. Ele estrangulou, bateu com o martelo, até chegar ao esquartejamento”, descreve a delegada.
No sábado (25/12), foi autorizada a busca e apreensão na casa do adolescente, que informou ainda ter jogado o corpo do animal em um rio próximo à residência onde cometeu o crime. “Ele confessou informalmente e foram apreendidos o martelo usado, a faca, o celular e vários objetos utilizados na live”.
O crime foi transmitido pelo aplicativo Discord, uma plataforma de comunicação popular entre praticantes de eSports. A polícia apura ainda se entre os cerca de 30 espectadores, houve incentivo à prática. A Discord informou, através de sua assessoria de imprensa, que “tem uma política de tolerância zero contra o compartilhamento de imagens de crueldade contra animais”.
“Quando tomado conhecimento deste tipo de atividade, medidas são tomadas imediatamente, incluindo banir usuários, desligar servidores e se engajar com as autoridades policiais quando necessário”. Até a manhã desta terça-feira (28/12) no entanto, o perfil do usuário permanecia no ar.
A punição por maus-tratos aos animais foi aumentada de dois a cinco anos de reclusão. Porém por se tratar de menor de idade, a punição, neste caso, é com medidas socioeducativas.
O psiquiatra Nélio Tombini alerta para os cuidados com as redes sociais pelos pais e responsáveis de crianças e adolescentes. Para ele, o estímulo de amigos e até usuários anônimos pode incentivar a uma prática que, em seu íntimo, o adolescente não faria. “A rede social habilita a violência. A gente não mostra a cara, não está presente. É como se fosse um espaço onde a gente larga as coisas e se dissolvem. Esse é o perigo das redes sociais: nos juntamos e mostramos nosso pior”.
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G1 Bahia
