AUMENTO DA POBREZA: Supermercados reforçam segurança para evitar furto de carne

O que antes era reservado a produtos como uísques e pacotes de cigarros chegou também aos alimentos, principalmente às carnes. Sensores, alarmes e embalagens vazias estão sendo adotadas por redes de supermercados na tentativa de conter furtos ou o abandono de produtos antes do pagamento. A prática, segundo o Procon-SP, não é ilegal, mas pode ser considerada discriminatória quando é adotada sem critério -por exemplo, em apenas algumas unidades, ou em determinados bairros.
Na terça-feira (19/10), o órgão de defesa do consumidor paulista informou que vai multar uma unidade da rede Extra do Jardim Ângela, na zona sul de São Paulo, que estava entregando bandejas vazias a quem pedia carne proporcionada no açougue. O valor da sanção ainda não foi definido. A embalagem de isopor era etiquetada e o cliente só poderia pegar o produto depois que a compra fosse concluída – e paga. O relato foi feito pela produtora cultural Fabiana Ivo, que compartilhou sua experiência de compra em uma rede social.
“Isso é uma afronta a toda a população das quebradas, duvido que o mesmo aconteça no Extra do Morumbi”, escreveu, em referência ao bairro de alto padrão na zona oeste da capital paulista. O caso foi contado na segunda-feira (18/10) pelo colunista do UOL Rodrigo Ratier. “É inaceitável [a existência de] critérios de discriminação em razão do local. Se em outros estabelecimentos ou em outros bairros não existe esse tipo de exigência, não se justifica que a população do Jardim Ângela seja submetida a um vexame”, diz Fernando Capez, diretor-executivo do Procon-SP.
A rede Extra diz em nota que a adoção da medida não faz parte da política de atendimento das lojas e considerou a prática uma falha interna. “Desde que teve conhecimento dos relatos, a rede tem tomado providências para que a prática seja imediatamente descontinuada, reforçando com todo o time das lojas, inclusive, as orientações com respeito às normas e procedimentos operacionais autorizados pela empresa, para que tais fatos não voltem a ocorrer”, afirma a empresa, que faz parte do Grupo Pão de Açúcar.
Desde a divulgação do caso relatado por Fabiana, consumidores relataram em redes sociais que passaram por situações similares, nas quais receberam a bandeja vazia até a conclusão da compra, em unidades da mesma rede na região central e na zona leste da capital, e também para outras compras de produtos fracionados, como frios.
“Se não existe um aviso prévio e ostensivo, uma informação de que é um critério objetivo e igual para todos, de que primeiro se paga e depois se pega o produto, isso passa a ser uma discriminação, uma surpresa para o consumidor e um método vexatório”, diz Capez, do Procon-SP. Alarmes de segurança e sensores, mais comuns em lojas de departamento, também aparecem em gôndolas, freezers e geladeiras.

 

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