A Apas (Associação Paulista de Supermercados) diz que o que aconteceu no Extra foi um fato isolado e, por isso, não dará recomendação quanto aos procedimentos de segurança adotados pelas empresas. A elevação de preços dos alimentos, ao mesmo tempo em que a economia -e, portanto, a geração de emprego e renda- ainda não se recuperou do baque da pandemia, tem tornado comuns situações como o garimpo de ossos e pelancas, como registrado no Rio de Janeiro (RJ), filas para doações de ossos e aparas, em Cuiabá (MT), e pessoas buscando comida em um caminhão de lixo em Fortaleza (CE).
Monitoramento de preços do varejo feito pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola), ligado ao governo de São Paulo, mostra que o quilo da carne moída de segunda custava, em média, R$ 34,46 no setembro, após o pico de R$ 36,19 no mês anterior. Somente em 2021, o produto já acumula alta de 13,48%.
A picanha, corte popular entre os admiradores de churrascos, acumula alta de 15,10% desde janeiro. O preço por quilo, em setembro, ficou em R$ 68,67.
Segundo o IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, as carnes acumulam alta de 24,84% em 12 meses. A variação considera os principais tipos de carnes -bovina, suína e de frango. Em setembro, esse grupo de despesa registrou queda de 0,21%, movimento que pode estar relacionado à queda das exportações para a China, mas que leva um tempo para chegar ao consumidor.
A suspensão das vendas, que já dura seis semanas, ocorreu devido à existência de casos de vaca louca. A coluna Vaivém das Commodities, da Folha de São Paulo, de segunda (18/10) mostrou que a arroba do boi estava em R$ 267,80, distante dos R$ 322 da segunda quinzena de julho.
Paulo Bellincanta, presidente do Sindicato das Indústrias de Frigoríficas de Mato Grosso, maior exportador do Brasil, afirma em nota que a queda de até 20% na arroba não chega a varejo e que “balcões dos açougues e supermercados precisam se engajar na cadeia e não se apresentarem como inimigos.”