Na última sexta-feira (28/5), adeptos das religiões de matriz africana foram fotografados enquanto realizavam rituais em torno do prédio da Prefeitura de Santo Amaro. O fato tomou grandes proporções e foi amplamente divulgado nas redes sociais, sendo associado a piadas e política.
Após a ampla divulgação dos registros na internet, surgiram rumores de que as pessoas que participavam do ato religioso eram militantes políticos e funcionários da atual gestão, já que, no mesmo dia ocorreu a 1ª audiência do Processo da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) impetrada pelo ex-prefeito Flaviano Rhors contra a atual gestora Alessandra Gomes, que investiga supostas irregularidades cometidas durante as Eleições de 2020.
Os grupos políticos da cidade têm travado diversos embates através da redes sociais, e o ato religioso foi mais um motivo para discussão. O assunto deixou a população dividida, algumas pessoas defenderam a prática, enquanto outras repudiaram-na, o que trouxe a tona um debate relacionado a intolerância religiosa.
Aqueles que criticaram a realização do ritual alertaram para o fato de que o mesmo foi praticada em um prédio público, que de acordo com a Constituição Federal deve ser laico. Em postagens feitas nas redes sociais, outras pessoas defenderam a tese de que se fosse um ritual praticado por outras religiões não seria visto de maneira pejorativa.
Em um áudio divulgado por meio de um aplicativo de mensagens o Babalorixá e delegado representante da Federação Nacional do Culto Afrobrasileiro (FENACAB) Antônio Carvalho dos Santos, popularmente conhecido como “Pai Toinho”, disse que o referido ato não foi apoiado pela entidade, responsável por regulamentar as ações religiosas. Ele afirmou ainda que a entidade está aberta a receber denúncias relacionadas a possíveis incômodos, para que as devidas apurações e providencias sejam tomadas, a fim de construir uma boa e harmônica convivência entre as religiões.
Em um outro áudio compartilhado em redes sociais o Babalorixá Gilson, diz que a referida ação seria para atrair bons fluidos para a administração, segundo ele “as coisas” na cidade estariam atrapalhadas e os integrantes da atual gestão estão reprimidos não sentem forças para trabalhar.
Os ânimos seguem exaltados na cidade. Na esfera judicial, testemunhas do processo da AIJE foram ouvidas na última sexta-feira, em uma audiência virtual realizada com a participação do Juiz Eleitoral Andre Gomma e o representante do Ministério Publico. Os depoimentos serão analisados para que os próximos passos do processo sejam divulgados.
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