“Foi uma experiência muito boa”, Papai Noel negro celebra sucesso com a garotada

O Natal é uma das mais importantes tradições cristãs. A celebração do nascimento de Jesus Cristo emprestou o dia 25 de dezembro de uma tradição romana que comemorava nesta mesma data o nascimento do deus persa Mitra, que representa a luz. Em diversas outras culturas, o fim de dezembro era marcado pela comemoração do solstício de inverno, a noite mais longa do ano no Hemisfério Norte. Chineses, egípcios e romanos também tinham suas próprias celebrações para a época, e, apesar desse caldeirão multicultural, a festa natalina sempre foi representada como comemoração majoritariamente branca.
“Me vestir de Papai Noel faz a criança negra perguntar para seus pais por que sou o primeiro negro que ele vê vestido assim”, afirmou o empresário Marcos Miranda, 50 anos, que no domingo antes do Natal fez entrega de 1.500 kits com brinquedos e alimentos em uma comunidade de São Bernardo.
Participar da festa natalina, avalia o empresário, é também um ato de resistência. Em um ano marcado por vários casos de racismo, como a morte do autônomo negro João Alberto Silveira Freitas, 40, após ser agredido por seguranças brancos de uma loja Carrefour, em Porto Alegre, Miranda quis chamar a atenção para o quanto a celebração do Natal ficou embranquecida. Como esperava, sua aparição gerou série de comentários, por parte de crianças e adultos.

“Teve um garoto que falou: ‘nossa, você não é branco! Sua barba não é branca’. Mas foi muito legal. Nas ruas, algumas pessoas disseram ‘boa, um Papai Noel negrão!’. Foi uma experiência muito boa”, pontuou. Miranda, que tem origem humilde e hoje é empresário com lojas em São Paulo, além da Mainha Bijux em Feira de Santana, afirmou que pretende repetir a atuação no próximo ano. “Vou me preparar ainda mais, caprichar na produção para realmente incorporar o personagem.”
Morador de São Bernardo, Miranda é voluntário na Cufa (Central Única das Favelas) e relatou que o convívio com o racismo é uma constante em sua vida. “Já houve casos em que estava dirigindo, outro carro parou ao lado do meu e ouvi comentários do tipo ‘deve ser o segurança’ ou ‘esse carro deve ser do patrão’, por se tratar de um veículo de luxo”, lembrou.

 

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