GOLPISTA: Mulher denuncia homem que se passava por militar do Exército: ‘Me sinto ridicularizada’

Uma mulher, moradora de Salvador, relata ter sofrido um golpe dado por um homem que se passou por militar do Exército. O suspeito se aproximou da vítima, após se conhecerem em um aplicativo de relacionamento, e roubou o celular dela.
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A mulher de 37 anos não quis revelar a própria identidade, por ter medo e vergonha da situação. Ela, que é cabeleireira, conta que ele se apresentou como Wendel Barreto Oliveira, e dizia ser soldado lotado no 19º Batalhão de Caçadores [19 BC], que fica no bairro do Cabula.
“Eu conheci ele em um aplicativo, há mais de um ano atrás. Só que ficava nessa: aparece, some, aparece, some. E aí a gente começou a conversar, mas conversa normal”, conta a mulher.
Dessa vez, foram três meses de troca de mensagens até que o primeiro encontro aconteceu no dia 18 de outubro. O encontro ocorreu tranquilamente e, no dia seguinte, ela foi surpreendida com uma ligação de Wendel falando que a mãe dele tinha morrido.
“Ele mexeu com meu lado emocional e psicológico. Porque ele contou a história da mãe, que não queria ficar sozinho porque estava pensando em se matar, porque a dor era grande. Dizia: ‘eu queria que você ficasse comigo, você pode ficar comigo para eu não ficar sozinho? Eu não estou comendo, só estou sentindo dor, para acabar com essa dor’”, conta a vítima.
Os dois foram para um hotel no bairro de Pernambués, em Salvador, e Wendel disse para ela que o local era um alojamento do Exército. Lá eles passaram a noite e na manhã seguinte o roubo aconteceu.
“E de manhã, quando deu 7h15 da manhã, o suposto telefone dele tocou, sendo algum funcionário do Exército para dizer que ia levar uma importância [dinheiro] para ele. Ele disse que a pessoa disse a ele que ia fazer esse pagamento lá embaixo, na recepção, em pequeno grupo por conta da Covid, para não ter aglomeração. Aí a ligação caiu, foi quando ele ligou para ela [pessoa da suposta ligação] do meu telefone”, conta a mulher.
Ela detalha ainda que Wendel saiu com o aparelho dela e voltou para buscar a mochila dele. A vítima disse que não percebeu que ele estava roubando o celular.
“Ele saiu do quarto com meu telefone, falando. Ainda voltou, pegou a mochila, disse assim: ‘Vou aproveitar, vou levar a mochila para botar para lavar as minhas fardas. Nisso, ele já tinha botado o carregador que estava carregando o meu celular dentro da mochila e saiu com o telefone. Então, acima de qualquer suspeita, ele ia buscar o dinheiro e ia voltar, mas não foi o que aconteceu”, detalhou.
Só depois de algumas horas é que ela percebeu que tinha alguma coisa errada. Quando procurou por Wendel no hotel, descobriu que ele tinha ido embora e que o local não se tratava de um alojamento do Exército. Abalada, a vítima pediu socorro a uma amiga.
Juntas, elas foram até o batalhão no Cabula buscar informações sobre Wendel. Chegando lá, descobriu que ele não trabalhava no local.
“Contei a história, ele [servidor do Exército] me mostrou a questão da roupa, aquelas siglas que ficam. Aí disse: ‘Isso não é daqui, porque a roupa da gente tem 19 [número do batalhão] e a dele não tem’. Aí entrou em uma sala, olhou lá no computador e achou, porque em uma das fotos tem uma foto de um quartel e aí pela sigla que tem ali, acho que é GE ou CE, não lembro bem, na farda dele, ele chegou a um endereço que não é daqui, é de outro estado”, lembra.
Quando percebeu que tinha sido vítima de um golpe, ela procurou uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência.
Procurado pelo jornalismo da TV Bahia pelo mesmo número em que falava com a vítima, Wendel continuou afirmando que trabalha no 19º BC e disse que teve um relacionamento de quatro meses com a mulher. Segundo ele, as acusações foram feitas porque ela não aceita o fim do namoro.
A vítima nega que tenha tido um relacionamento com ele e reafirma que houve apenas a paquera. O Exército disse que o nome de Wendel não consta na base nacional, ou seja, ele nunca serviu ao Exército brasileiro.
Agora, a vítima se preocupa com dados e informações que estão no celular que foi roubado pelo suspeito. Ela precisou bloquear número telefônico, cancelar cartões de crédito e até encerrar contas bancárias. O transtorno, no entanto, vai além da perda material.
“Eu me sinto ridicularizada, abaladíssima em todos os pontos. E o que é pior, eu acho que nunca mais eu vou ser a pessoa que eu era, nunca mais. Porque ele mexeu com meu psicológico. Isso não se faz, mexer com o coração de uma pessoa”, disse a vítima.




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G1

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