A vida dos artistas, agora, mais parece uma corda bamba. Diante da pandemia, a classe artística se vê refém da situação, uma vez que os profissionais dependem de público para que suas apresentações ocorram. Isso esbarra, justamente, em uma das principais medidas preventivas adotadas pelos governos no enfrentamento à Covid-19, que é a de evitar aglomerações.
Longe dos palcos e das salas de aula, a A Lei Aldir Blanc foi criada com o objetivo de ajudar os trabalhadores da cultura e os espaços culturais brasileiros no período de isolamento social causado pela pandemia do Covid-19, essa medida será uma “válvula de escape” para esses artistas.
A Lei é dividida em três eixos: o eixo 1, que é uma renda emergencial de R$ 600 para os artistas que comprovem atividade cultural nos últimos 24 meses que antecedem a publicação da Lei, o eixo 2, que é um subsídio entre R$ 3 e 10 mil reais para espaços artísticos e culturais regulamentados pelos estados, municípios e Distrito Federal, e o eixo 3, com editais, chamamentos públicos e premiações destinados a atividades culturais, que utilizem no mínimo 20% dos recursos repassados pelo Governo Federal.
O Secretário de Cultura, Esportes e Turismo de Conceição do Jacuípe, Carlos Castro, contou ao BN que o município ainda está na fase da montagem do comitê que irá analisar as inscrições, para a partir daí, mandar a proposta para o Governo federal, solicitando os repasses da Lei.
O comitê será formado metade por pessoas ligadas ao Poder Público, e outra metade de pessoas da população, cumprindo os critérios que são exigidos.
Em contrapartida, o município de Amélia Rodrigues está bastante adiantado, sendo um dos primeiros do Brasil a receber os repasses do Governo Federal, e já estão na fase de publicação dos últimos decretos para que possam entregar as verbas aos artistas e espaços artísticos, dentro dos trâmites legais.
Enquanto os repasses não chegam, o sofrimento desses artistas aumentam a cada dia, pois convivem com a angustia e a incerteza, sem saber de onde virá a ajuda que eles tanto necessitam para se manterem e sustentarem as suas famílias.
Adailton Santos de Jesus, 36 anos, é um exemplo dessa triste realidade em torno no setor artístico. Adailton atua como DJ há pelo menos 15 anos. A realização de eventos, segundo ele, era frequente e reduziu a zero nesse período. O DJ ressaltou também que, embora tenha surgido essa lei que auxiliará muitos artistas, nem todos receberão devido aos pré-requisitos exigidos.
“Isso me deixou abatido. Falo em nome dos artistas e do pessoal da cultura, pois eu não me enquadro nesse perfil e não preciso desse auxílio, entretanto meus amigos da área estão precisando. Muitos me procuraram por eu também ser dessa área, afirmando que estão indo até a prefeitura saber sobre esse auxílio, mas não estão tendo respostas. Muitos já deram entrada no pedido, mas não tiveram resposta, comentou”.
O músico Francisco Roque Jesus Cerqueira, de 40 anos, contou que veio de uma família de artistas e já atua há 12 anos no ramo artístico. Em 2008, começou com a banda “Forró Xote Manhoso”, que mudou para “Roquinho Pé de Mourão”, pois segundo sugestões recebidas, o nome tem mais a ver com vaquejada e não só com forró, visto que o som é abrange os dois ritmos.
Roquinho afirmou que, quando começou a pandemia, a classe, em geral, já sabia que seria a mais prejudicada porque seriam os primeiros a parar e os últimos a retomar as atividades. “Fizemos o último evento dia 14 de março desse ano e, de lá pra cá, a gente ficou sem poder tocar e isso nos deixou numa situação muito delicada”, declarou Roque.
O artista ressaltou que esse benefício é essencial nessa fase, entretanto deve ser repassado de forma menos burocrática, pois muitos estão passando necessidade e precisam da ajuda com urgência.