“NA TRANCA”: Bilhete salva jovem torturada pelo marido; agressor foi preso
“No fim de agosto deste ano, passei por uma situação que nunca antes imaginei passar. Cerca de dois meses antes, abriu um mercadinho de frutas e verduras próximo à minha casa e, pelo menos duas vezes por semana, fazia compras lá. Sempre que ia, notava uma moça jovem que ficava próxima ao caixa com a cabeça sempre baixa e um olhar triste, perdido. Atrás dela, no caixa, ficava um senhor com cara de poucos amigos. Ela empacotava as compras e percebi que tinha um bebê de poucos meses de vida em seus braços. Pelo sotaque, percebi também que não eram brasileiros. Logo soube que eram sírios. A moça estava sempre vestida com aqueles vestidos longos e lenços na cabeça, cobrindo todo seu cabelo. Quando eu ia lá, brincava com a criança e a mãe permanecia quieta, retraída e nunca dava nenhum sorriso.
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Na última vez que estive lá, ao chegar no estabelecimento, o senhor idoso estava na porta do mercado conversando com um cliente e ela estava no caixa sozinha com o bebê no colo. Ao me entregar o troco das compras, junto às notas veio um papelzinho amassado escrito por ela. Olhei para o seu rosto e ela fez o sinal de silêncio com o dedo sob a boca. Já no carro, li: ‘Socorro! Me ajuda! Meu marido me tortura!’. E estava assinado com o nome dela: Rayna. Fiquei perplexa. Bateu uma angústia, uma dor no peito…. Parecia que era alguém da família pedindo ajuda.
Saí do carro correndo e fui até a padaria que fica ao lado do mercadinho. Mostrei para a gerente e, imediatamente, chamei a polícia, que chegou em menos de 20 minutos. Contei tudo para os policiais, mostrei o bilhete e eles partiram para o estabelecimento. Fui atrás. Lá, Rayna mostrou a eles suas pernas marcadas e muito machucadas. Contou que a amarrava à noite para que não conseguisse se levantar ou fugir. Fora isso, ela ainda estava cheia de queimaduras de cigarro nas costas e nas partes íntimas.
Os policiais chamaram uma ambulância para levá-la ao hospital, onde ele ficou internada três dias, muito machucada. Ele, por sua vez, foi para a delegacia prestar queixa. Lá, os policiais viram que ele era foragido da polícia e tinha um mandado de prisão por homicídio a cumprir. Foi preso na hora.

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