Depressão: entenda por que pessoas felizes também podem desenvolver a doença

Sempre que vejo alguém famoso assumir que desenvolveu depressão ouço o tribunal popular julgando quem deu a declaração, como se a doença estivesse ligada à condição financeira ou a falta de sucesso em alguma área da vida.

Quem não se lembra do ator Robin Williams, ou do Máskara personificado por Jim Carrey? Os dois desenvolveram a depressão, mesmo sem a aparência dela. Robin morreu vítima da própria dor no ano de 2014, enquanto Carey luta até hoje com todas as armas que possui para vencer a doença.

O caso mais recente do padre Fabio de Melo aponta que aquela teoria de que “é falta de Deus”, também não é verdadeira. A própria história contida na Bíblia relata personagens que viveram momentos de profunda tristeza, como José do Egito, o Rei Davi, Jó, entre outros.

Particularmente percebo que quanto mais fatores externos interferem nas nossas emoções, mais a chance de desenvolver a doença pode se tornar real. Mas para não ficar no ‘achismo’, conversei com o professor de Psiconeurobiologia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Gérson Alves da Silva Junior, que me explicou o seguinte:

“O processo depressivo não acontece da noite para o dia e possui dois facilitadores: a programação genética (que envolve formação biológica e histórico familiar) e também os conhecidos acontecimentos ambientais”, explicou Gérson.

“Pessoas animadas e de perfil alegre serão assim na maioria do tempo, mas quando ocorrem situações de desamparo, desafio ou dificuldade, elas simplesmente param. Ficam estagnadas. Aí inicia o processo depressivo”, acrescentou o especialista em Psiconeurobiologia.

Trocando em miúdos: pessoas felizes expostas a situações extremas podem simplesmente paralisar e é aí que mora o perigo. Não é a falta de dinheiro, de Deus, ou de saúde física que leva as pessoas à depressão. É preciso entender que essa doença trata de vazios, de ausência de sentido.

Se você paralisa ao se deparar com algum problema, ou se a ansiedade não te deixar dormir ou se mover quando deve, busque ajuda. Faça um esforço. Existem profissionais nas áreas médica e psíquica que tratam, além de outros tantos tipos de terapia que podem (e vão) te ajudar a vencer esse mal, considerado o grande desafio do século.

 

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