TRISTEZA: “Queremos elas do jeito que estão. Vivas ou mortas”, diz avô de meninas desaparecidas

No dia 30 de abril, o corpo do traficante Robson Luiz Gomes Lima, o Robin, foi encontrado com vários tiros na zona rural da cidade de Pedrão, Centro-norte do estado. Apontado pela polícia como um dos líderes da facção Katiara, ele retornaria para Salvador, junto com a mulher, as duas filhas, e o motorista, para comemorar o seu aniversário de 33 anos.
Um dia antes, moradores encontraram dentro de um EcoSport os corpos de Danilo Luiz Araújo Souza, 24, que dirigia o veículo, e de Juliana Conceição do Nascimento, 23, esposa de Robin. O veículo estava a 5 km do sítio comprado no início do ano por Robin.
Desde então, paira um mistério sobre o paradeiro das filhas dele: Sofia, de 1 ano e quatro meses e Luna Morena, de apenas 5. Pai de Robin, Roberto Luiz do Rosário Lima, 61, não tem dúvida de que as crianças estavam com os pais. A polícia não tem pistas do destino das meninas, mas atribui as execuções a uma rixa entre facções. Laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT) que serão anexados ao inquérito determinarão se as meninas estavam ou não dentro do veículo no memento dos disparos. Nesta segunda-feira (29) completará um mês do sumiço das crianças.
“Meus dias têm sido assim: durmo e acordo chorando. Levando às 4h, pego a chaleira na área e depois vou até a cozinha. Enquanto o café é feito, vou alimentar meus filhos – dez cães, 15 galinhas e pouco mais de 70 porcos-da-índia. Tento retomar minha rotina, mas quando chego perto do quarto onde eles dormiam… Passo de olhos fechados e com o coração apertado toda vez.

Quando eles chegavam, sempre dormiam nesse quarto, ao lado do meu, que era praticamente deles e está intacto até hoje. Desde o dia da tragédia, não tive condições emocionais de entrar no quarto. Hoje (17), só coloquei os pés porque sabia que a reportagem viria e queria mostrar as coisas de minha pequena Luna. Sobre a cama deixei a roupinha e o urso de pelúcia dela. Ela só dormia abraçada com ele (urso). Ao lado, a esteira de palha que a minha pequena aprendeu a engatinhar. Já fiz cirurgia cardíaca, uso meio mundo de remédios e agora tomo calmante para controlar a emoção.

Buscas foram feitas e não localizaram as meninas
O que me deixa triste também é o tamanho da frieza das pessoas. Ligaram para gente dizendo que elas foram vistas. As pessoas não têm dó do nosso sofrimento. Sequer sabem a dor que passamos todos os dias. Ligaram dizendo que elas estavam internadas em hospitais de Santo Antônio de Jesus e Feira de Santana – fomos em vão. Uma outra ligação dizia que elas foram vistas com um rapaz em Guarajuba (praia de Camaçari) e que uma delas chorava. Também trote. O intuito era só atrapalhar. As pessoas não têm coração.
A dor é muito grande não saber onde minhas netas estão. Não desejo a dor que estou sentindo ao meu pior inimigo. Queremos elas do jeito que estão. Vivas ou mortas. Se mortas, queremos ter o direito de enterrá-las. Quero colocá-las ao lado dos pais (Robson e Juliana foram enterrados no cemitério Bosque da Paz). Preciso sossegar meu coração. Não tem dia, um instante que não penso nelas. Elas não têm culpa pelo o que o pai vinha fazendo. São inocentes. Que tipo de pessoas são essas que fazem mal a duas crianças inocentes? Que espécie de ser humano é este?”
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Ô MEU VELHO EU PENSEI QUE O SENHOR SABIA COMO É O MUNDO DO CRIME !!!!!!!!