468 anos de Salvador: Conheça a História da capital baiana através de seus sabores

Há diversas maneiras de homenagear Salvador, que completou 468 anos nesta quarta-feira (29): falar da riqueza de sua História, da alegria da sua gente ou de suas diversas belezas naturais e arquitetônicas. Mas depois de consultarmos nossa equipe e alguns mencionarem acarajé, outros moqueca ou vatapá, não tivemos dúvida: a homenagem do Berimbau Notícias será a deliciosa Gastronomia soteropolitana.

O interessante de falar da culinária de Salvador é que ela serve de fio condutor, ou melhor, tempero para abordar os vários encantos da cidade: História, cores, aromas e, claro, cultura. Sua elaboração tem forte presença dos povos indígena, negro e português e se caracteriza por pratos com frutos do mar, muito dendê, leite de coco, amendoim, castanhas e pimentas. Ou seja, qualquer relação com a formação do Brasil não é mera coincidência. Vamos a eles:

Acarajé

O mais famoso dos quitutes baianos é um bolinho preparado com feijão fradinho ralado e frito no azeite de dendê recheado com vatapá e camarão. Em 2004, tornou-se Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) pela sua importância para a cultura baiana. Sua origem remonta ao ritual do candomblé que homenageia a orixá Iansã, relacionada ao elemento fogo.

Vatapá

A receita original é feita à base de camarão seco, pão, leite de coco, amendoim e castanha de caju. A origem do vatapá é controversa. Alguns dizem que teria vindo nos navios negreiros e teria relação com o Yorubá, um dialeto africano. Outros afirmam que seria Tupi, por sua semelhança com o Tacacá, uma iguaria característica do índios que habitaram a costa brasileira no século XVI.

Moqueca

Em Salvador, a moqueca é cozida em panela de barro e pode ser preparada com peixe ou crustáceos como camarão, lagosta, lula, polvo ou outros mariscos. Tem como ingredientes básicos leite de coco, azeite de dendê e coentro. Os índios costumavam assar a moqueca numa grelha de varas ou apenas em folhas de árvores cobertas por cinzas quentes (conhecidas pelos índios como moquém).

 

Cocada

Bem, já que falamos de tantos pratos salgados deliciosos, nada melhor do que fecharmos com um doce. A tradição de se fazer o doce de coco veio com os escravos que, como trabalhavam nos canaviais e usinas de açúcar, tinham sempre estes ingredientes em grande quantidade. No candomblé e na umbanda, a cocada é uma oferenda aos que representam as crianças.

Agora que você já conhece um pouco mais da origem de pratos tão típicos, degustá-los em Salvador terá outro sabor, não é, meu rei?

 

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