“MISERICÓRDIA SENHOR”: Pesquisa revela que 40% das vítimas de agressões são evangélicas

Uma pesquisa realizada durante o mês de novembro deste ano, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, revelou dados assustadores. De acordo com relatos colhidos pela pesquisa, cerca de 40% das mulheres que sofrem violência doméstica no Brasil são evangélicas.

Pesquisadores colheram depoimentos de mulheres que já sofreram agressões físicas ou verbais de seus companheiros. E constataram que quase a maioria dos agressores são “crentes”. A população feminina no Brasil, já ultrapassou 103 milhões de mulheres, conforme Estudos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

EM NOME DE DEUS

Segundo a pesquisa, as vítimas se sentem coagidas por seus lideres religiosos e não denunciam seus maridos. “É propagado dentro das igrejas que as mulheres devem submissão a seus esposos, eles são ‘o cabeça’ e, por isso a ultima palavra será a dele” , disse uma evangélica que não quis ser identificada.

A dona de casa Maria Francisca,  de 56 anos, foi vítima de agressões durante muitos anos. Segundo ela, seu marido ocupava um cargo na igreja e por causa disto ela omitiu as violências que passou.

“Se seu marido a agrediu, o que você deve fazer é lutar contra as ‘investidas do demônio’. Essa é a orientação que o líder religioso ensina aos fies da igreja”, denunciou Maria Francisca.

Para Camila Froes, de 27 anos, o hábito de não denunciar é resultante a uma lavagem cerebral. Segundo ela, essa cegueira espiritual faz com que as vítimas se calem diante dos males vividos por elas. “Cristo veio ao mundo para pregar o amor e, em nenhuma das suas citações bíblicas ele incentivou o ódio” desabafou a jovem que foi ex-mulher pastor.

O vídeo abaixo mostra um pastor que foi preso por espancar a esposa, confira:

https://www.youtube.com/watch?v=9qP_Uh1q-U0&feature=youtu.be

Já, o pastor Ubiraçy Tavares acredita que, é possível que a existência dessas condutas dentro das igrejas, “40% é um número muito elevado. Quase a metade das vítimas que sofreram agressões são ‘crentes’? Meu Deus, precisamos reverter esse quadro”, disse.

A LEI A FAVOR DA MULHER

A delegada Heleneci Souza Nascimento, titular da DEAM/Brotas, explicou que não tem esses dados, mas que toda mulher deve procurar uma unidade policial e realizar o Boletim de Ocorrência (B.O), em caso de qualquer tipo de violência.

“A vítima pode dar queixa e realizar os procedimentos de exames de corpo de delito em qualquer delegacia, ressaltou a delegada. A titular acrescentou ainda que, as DEAMs não funcionam 24h, “as vítimas fazem a ocorrência após isso, elas devem procurar a delegacia especializada em violência doméstica”, acrescentou a delegada.

COMO DENUNCIAR A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Através do Disque 180, qualquer pessoa pode acionar a polícia, neste canal de atendimento o usuário receberá apoio e orientações. A denúncia é direconada para uma Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (DEAM), conforme o estado.

A DEAM fica responsável para encaminhar a vítima para realização de exames de corpo delito e dará o acolhimento e abrigo sigiloso se houver necessidade, conforme determinado na Lei Maria da Penha.

O município que não tem uma unidade da DEAM a vítima pode procurar qualquer delegacia comum. Lá ela deve ter prioridade no atendimento. Se for uma tentativa de homicídio, a vítima também pode ligar para 190.

 

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