Morre Wanda Chase, jornalista pioneira e voz firme em defesa do povo preto

A jornalista Wanda Chase, referência na luta antirracista e uma das grandes figuras da comunicação baiana, faleceu na madrugada desta quinta-feira (3), em Salvador. Ela estava internada no Hospital Teresa de Lisieux, onde passou por uma cirurgia. Nascida em Manaus, Wanda tinha 74 anos e construiu uma carreira sólida e respeitada na televisão e na militância em defesa do povo preto.
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Carinhosamente chamada de “Wandinha” pelos amigos, ela foi condecorada com o título de cidadã soteropolitana e estava prestes a ser homenageada como cidadã baiana. Por muitos anos, brilhou nas telas da TV Bahia, onde marcou época com sua presença firme, seu discurso potente e sua dedicação à cultura afro-brasileira.
Wanda era mais que jornalista: era uma militante comprometida com as causas negras, evangélica e apaixonada pela música e pela cultura baiana. Foi convidada a escrever uma coluna sobre o Mundo Negro para o extinto jornal de música Si Toque, convite que aceitou prontamente. Mais tarde, essa mesma proposta se transformaria em uma coluna televisiva, com o incentivo do então editor Roberto Appel.
“Foi justamente na TV que formamos durante muitos anos o que os amigos brincavam chamando de ‘O casal da Axé Music’. Era sempre um prazer comentar a folia baiana ao seu lado. Wanda sempre mais séria, e eu fazendo o contraponto como o brincalhão”, relembrou um dos colegas de profissão que conviveu de perto com a jornalista.
Wanda cobriu grandes eventos nacionais e internacionais, como a Lavage de La Madeleine, em Paris — sua favorita —, a Lavagem de New York, organizada pela baiana Silvana Magda, e a Jam Session de Montreux, na Suíça, promovida pela também baiana Jô. A jornalista também era presença marcante nos carnavais fora de época da Bahia, onde sempre se encontrava com colegas e amigos.
Sua última aparição pública foi em Brasília, durante uma audiência pública que discutia a criação do Dia Nacional do Axé, por iniciativa da deputada Lídice da Mata. Estavam presentes jornalistas como Paulo Borges e Hagamenon Britto, e artistas como Manno Góes, Márcia Short, Robson (Banda Mel) e Rafael Barreto (Jammil).
Com a partida de Wanda Chase, a Bahia e o Brasil perdem uma das mais importantes vozes da comunicação e da luta racial. Sua trajetória, marcada pelo pioneirismo, resistência e paixão pela cultura, deixa um legado eterno.