Três vírus acendem alerta para novas crises sanitárias em 2026
Especialistas apontam H5N1, mpox e Oropouche como ameaças em expansão

O mundo ainda lida com os impactos deixados pela pandemia de covid-19, mas 2026 já apresenta novos desafios no campo das doenças infecciosas. Especialistas alertam que uma combinação de fatores — como mudanças climáticas, crescimento populacional e maior mobilidade humana — tem criado um ambiente propício para a evolução e a rápida disseminação de vírus.
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Em artigo publicado na revista The Conversation, o professor de Doenças Infecciosas da Universidade da Virgínia, Patrick Jackson, destaca três vírus que exigem monitoramento atento neste ano: a gripe aviária H5N1, o mpox e o vírus Oropouche.
Apesar de distintos, os três patógenos têm algo em comum: ampliaram sua área de circulação e ultrapassaram fronteiras recentes. Especialistas reforçam que o momento pede vigilância estratégica — não alarmismo.
Vírus Oropouche: avanço no Brasil preocupa
Menos conhecido do grande público, o vírus Oropouche é transmitido por mosquitos de pequeno porte e provoca sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça e dores no corpo. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, durante décadas permaneceu restrito principalmente à região amazônica.
Desde os anos 2000, no entanto, o vírus se espalhou para outras áreas da América do Sul, América Central e Caribe. Em 2024, o Brasil registrou as primeiras mortes associadas à infecção.
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde apontam que, até agosto de 2025, o país concentrava cerca de 90% dos casos nas Américas, com registros em 20 estados e cinco mortes confirmadas — quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.
Casos importados também foram identificados na Europa, segundo a revista científica IFL Science. Além disso, foram relatadas ocorrências de transmissão vertical (de mãe para filho), e investiga-se possível relação com microcefalia e óbitos fetais.
Atualmente, não há vacina nem tratamento específico contra o vírus. Em janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde apresentou uma proposta para acelerar o desenvolvimento de estratégias de prevenção e controle da doença.
Gripe aviária H5N1: risco de adaptação entre humanos
A gripe A é historicamente associada a pandemias devido à sua alta capacidade de mutação. O exemplo mais recente foi a pandemia de H1N1, em 2009, que causou mais de 280 mil mortes no primeiro ano.
Agora, a atenção se volta para o H5N1, conhecido como gripe aviária. Em 2024, o vírus foi detectado pela primeira vez em vacas leiteiras nos Estados Unidos, marcando um salto de espécie considerado preocupante. Desde então, novos focos foram registrados em rebanhos de diferentes estados norte-americanos.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), 71 casos humanos e duas mortes foram contabilizados desde 2024, sem evidências de transmissão sustentada entre pessoas.
O principal temor é que o vírus sofra mutações que permitam a transmissão eficiente de humano para humano — condição essencial para o surgimento de uma nova pandemia.
Vacinas específicas já estão em desenvolvimento. No Brasil, o Instituto Butantan conduz estudos pré-clínicos para avaliar a segurança de um imunizante contra a cepa.
Mpox: variantes em circulação
O mpox, anteriormente conhecido como varíola dos macacos, era considerado raro e restrito a partes da África até 2022, quando a variante clado IIb se espalhou por mais de cem países.
A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo, inclusive durante relações sexuais, o que contribuiu para a rápida disseminação global.
Desde 2024, países da África Central também registram aumento de casos da variante clado I, considerada mais grave. Nos Estados Unidos, já houve notificações recentes em pessoas sem histórico de viagem ao continente africano.
Embora exista vacina, não há tratamento antiviral específico amplamente disponível. Especialistas alertam que a evolução do vírus ao longo de 2026 pode representar novos desafios para os sistemas de saúde.
Outras ameaças no radar
Além desses três vírus, outras doenças também preocupam. O chikungunya registrou mais de 445 mil casos suspeitos e confirmados em 2025, com ao menos 155 mortes até setembro. No Brasil, foram 129 mil casos e 121 mortes, de acordo com o Ministério da Saúde.
O vírus Nipah voltou ao noticiário após um surto em Bengala Ocidental, na Índia, embora especialistas considerem baixo o risco imediato de pandemia. O Ministério da Saúde informou que não há casos registrados no Brasil.
Já o sarampo reaparece em diversos países devido à queda nas taxas de vacinação, ameaçando o controle da doença em locais onde ela havia sido eliminada.
Especialistas também alertam que cortes em programas internacionais de cooperação em saúde podem impactar o controle do HIV, favorecendo eventual aumento de casos.
Diante desse cenário, autoridades sanitárias reforçam a importância da vigilância epidemiológica, da vacinação e do fortalecimento dos sistemas de saúde pública como principais ferramentas para evitar que novos surtos se transformem em crises globais.
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