Guerra de facções ameaça o tradicional Carnaval de Maragojipe
Tradição secular de pierrôs e colombinas dá lugar à apreensão de moradores, que temem o uso de fantasias como disfarce por criminosos.

Localizada a cerca de 70 km de Conceição do Jacuípe, no ponto de encontro do Rio Paraguaçu com o Rio Guaí, bem ao fundo da Baía de Todos-os-Santos, Maragojipe é uma cidade rica em recursos naturais e paisagens exuberantes. Mas é o seu Carnaval, marcado pela brincadeira histórica das máscaras e fantasias, que carrega o título de símbolo principal da cultura local. Neste ano, no entanto, a alegria secular dos pierrôs e das colombinas corre o risco de ser ofuscada por uma grave crise de segurança pública.
A cidade tornou-se palco de uma violenta guerra pelo controle do tráfico de drogas entre duas facções criminosas: o Bonde do Maluco (BDM) e o Comando Vermelho (CV). Esse cenário de tensão fez com que a maior tradição da festa momesca se transformasse em motivo de pânico para a população.
O temor principal é de que os criminosos aproveitem o anonimato garantido pelos trajes tradicionais para se camuflarem entre os foliões, buscando oportunidades para eliminar rivais de facção.
“A gente não sabe se quem está por baixo das roupas é uma pessoa de bem. E se tem um cara procurando uma oportunidade?”, questiona um morador que, por medo de represálias, prefere não se identificar. Segundo ele, o risco de balas perdidas é o que mais assusta a comunidade. “Na hora, sobra para quem não tem nada a ver com essa guerra”, completa.
A hospitalidade maragojipana, antes marca registrada durante a festa, também foi afetada pelo clima de insegurança. “Antigamente, a gente deixava os mascarados entrarem nas casas. Mas hoje, diante de tanta covardia, ninguém abre a porta”, desabafa o morador.
Histórico recente de terror
O pânico dos moradores tem precedentes e é justificado por episódios recentes de extrema violência. Em julho do ano passado, o terror invadiu a localidade de São Roque do Paraguaçu quando pelo menos 20 homens fortemente armados chegaram de barco e fuzilaram carros e lojas comerciais. O ataque, que chocou a região, foi atribuído pela polícia a integrantes do Comando Vermelho.
No mesmo mês, a barbárie fez outra vítima: um homem foi decapitado no distrito de Najé. Em uma clara demonstração de força e crueldade, os criminosos espalharam partes do corpo da vítima — pernas, braços e órgão genital — por pontos distantes da comunidade.
Reforço policial
Diante do clima de medo e da possibilidade real de conflitos durante as festividades, a Polícia Militar garante que está monitorando a movimentação do crime organizado para tentar garantir a paz aos foliões.
O tenente-coronel Botelho, comandante responsável pelo policiamento no Recôncavo, assegurou que as forças de segurança não estão omissas. “A PM está atenta aos fatos”, afirmou o oficial.
Para tentar neutralizar o risco durante a festa popular, um esquema especial foi montado. “Estamos com efetivo empregado na região. São 76 policiais de fora exclusivamente para o período momesco, além de mais de 200 homens e mulheres atuando somente em Maragojipe”, concluiu o comandante, apostando no reforço ostensivo para tentar devolver a tranquilidade ao histórico Carnaval de máscaras.
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