Prefeitos definem teto para cachês do São João 2026 na Bahia
Reunião na UPB estabelece teto de R$ 700 mil por atração e cria parâmetros para garantir responsabilidade fiscal

Uma comissão de prefeitos baianos se reuniu na tarde desta quarta-feira (4), na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), para discutir a contratação de atrações artísticas para os festejos juninos de 2026. O encontro resultou na construção de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), elaborado em conjunto com o Ministério Público, com o objetivo de definir critérios e limites de gastos para os eventos.
Segundo o presidente da UPB, Wilson Cardoso, a decisão representa um avanço importante na gestão responsável dos municípios.
“É uma resposta ao clamor da opinião pública, dando lisura ao gasto. A inflação subiu 4,6%, o piso do professor subiu 5,4%, então achamos razoável avaliar esses aumentos de cachês que vinham ocorrendo de forma desproporcional”, afirmou o gestor, que também é prefeito de Andaraí, na Chapada Diamantina.
A reunião contou com a presença de prefeitos de municípios conhecidos por realizarem grandes festejos juninos, como Serrinha, Jequié, Senhor do Bonfim, Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Ibicuí, Capim Grosso, Ipirá e Conceição da Feira.
De acordo com Wilson Cardoso, a iniciativa foi bem recebida pelos gestores.
“Percebemos uma satisfação muito grande dos prefeitos em poder realizar uma boa festa sem comprometer recursos da educação, infraestrutura e saúde, além de mudar a imagem que parte da população tinha sobre os gastos com eventos”, destacou.
Teto de cachês e controle de gastos
Durante o encontro, ficou definido que o teto máximo de cachê por apresentação será de R$ 700 mil. Além disso, artistas que se apresentaram no ano anterior não poderão ter reajustes acima da inflação. Outro consenso foi o de que os municípios não poderão gastar em eventos, em 2026, acima da inflação, tendo como base o valor executado em 2025 acrescido apenas do índice inflacionário.
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) também deverão obedecer aos mesmos critérios e limites, garantindo transparência e equilíbrio nos contratos. O objetivo central das medidas é preservar o erário público, evitar a prática de cartelização nos cachês artísticos e assegurar que recursos continuem sendo direcionados para áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.
Debate pode se expandir pelo Nordeste
A discussão não deve se restringir à Bahia. Representantes de associações de municípios de seis estados do Nordeste já demonstraram interesse em ampliar o diálogo com a UPB. A proposta é levar adiante o debate sobre o crescimento dos custos dos festejos juninos, especialmente com grandes atrações musicais, buscando manter a tradição cultural sem comprometer a responsabilidade fiscal e a capacidade de investimento dos municípios em políticas públicas.
Com o acordo, os prefeitos sinalizam um novo modelo de gestão para os festejos juninos, conciliando cultura, transparência e equilíbrio financeiro.
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