Dra. Lívia Sant’Anna Vaz, promotora de Justiça, ministra palestra sobre educação antirracista na Jornada Pedagógica de Amélia Rodrigues

A educadora, escritora e promotora de Justiça Dra. Lívia Sant’Anna Vaz ministrou, nesta quarta-feira (4/2), a palestra “A importância do protocolo de prevenção e resposta ao racismo para a construção de uma educação antirracista”, durante o segundo dia da Jornada Pedagógica 2026, em Amélia Rodrigues.
Reconhecida nacionalmente por sua atuação na defesa dos direitos humanos e no enfrentamento ao racismo, Lívia Vaz é graduada em Direito pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e em Comunicação Social – Relações Públicas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), mestre em Direito Público (UFBA) e doutora em Direito – Ciências Jurídico-Políticas pela Universidade de Lisboa, em Portugal.

A palestra reuniu professores, gestores escolares, coordenadores pedagógicos e demais profissionais da educação, que acompanharam reflexões profundas sobre a necessidade de protocolos institucionais para prevenir e enfrentar práticas racistas no ambiente escolar, fortalecendo a construção de uma educação verdadeiramente antirracista.

Gizele Belmon, coordenadora regional da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq) e coordenadora municipal da PNEeRC em Amélia Rodrigues, entrevistou a palestrante para o FALA GENEFAX e destacou a importância do momento para a rede municipal de educação.
Durante a entrevista, Gizele retomou uma reflexão apresentada por Lívia ao longo da palestra, sobre identidade e profissão, e lançou a pergunta: “Quem é a doutora Lívia Vaz?”.
Em resposta, a promotora trouxe uma fala marcada por identidade, pertencimento e consciência racial. “Eu sou uma mulher negra em movimento. O meu cargo não me define. Eu não sou uma promotora de Justiça negra, eu sou uma mulher negra que está promotora de Justiça. Em uma sociedade racista e sexista como a nossa, esse pensamento é fundamental, porque o sistema naturaliza a ausência de mulheres negras nos espaços de poder”, destacou.

Ao longo da palestra, Lívia Vaz também abordou a importância dos espaços educacionais, políticos e sociais como territórios de construção de referências e de valorização dos repertórios afro-brasileiros, africanos e indígenas, historicamente invisibilizados. Um dos pontos centrais de sua fala foi o conceito de epistemicídio, o apagamento sistemático dos saberes produzidos por povos e comunidades tradicionais.
“O epistemicídio é o assassinato de saberes locais por um saber que se coloca como único e central. A gente perde muito com isso, porque a nossa riqueza está justamente na diversidade de modos de ver o mundo e de bem viver”, explicou.

A promotora ressaltou ainda a importância dos saberes de comunidades quilombolas, indígenas, marisqueiros, mestres de capoeira, do samba de roda e das religiões de matriz africana, destacando os terreiros como espaços fundamentais de reconstrução do sentido de família e de preservação da ancestralidade do povo negro no Brasil.
“Os terreiros foram a grande possibilidade do povo negro brasileiro de reviver suas famílias. Não é à toa que se fala em mãe de santo, pai de santo, filho de santo. É, de fato, uma possibilidade de reencontrar o sentido de família”, afirmou.
Outro tema abordado foi o racismo religioso, especialmente no contexto escolar. Lívia Vaz alertou para o aumento do discurso de ódio contra religiões de matriz africana e explicou como essa prática está diretamente ligada ao racismo, por conta da origem negra dessas religiosidades.

“A demonização de entidades de matriz africana é uma forma de racismo religioso. Nas religiões de matriz africana não existe diabo ou demônio. Essas são construções de matriz cristã. Cristo pregou o amor, nunca o ódio”, pontuou.
Encerrando sua participação, a promotora avaliou de forma positiva a experiência de dialogar com a comunidade educacional de Amélia Rodrigues e reforçou a necessidade de políticas públicas e atos normativos voltados à educação antirracista em todos os municípios brasileiros.

“Acho que todos os municípios precisam buscar uma educação antirracista, orientar professores, gestores e também as famílias sobre prevenção e enfrentamento ao racismo e o respeito às diversidades. Estou muito feliz e grata por estar aqui, com um público que trocou, dialogou e construiu coletivamente”, concluiu.
A Jornada Pedagógica 2026 segue até quinta-feira (5), promovendo debates, formações e reflexões sobre a função social da escola pública e o fortalecimento de uma educação baseada na equidade, no respeito e na diversidade.
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