Daniel Munduruku destaca identidade indígena e educação do presente na Jornada Pedagógica de Amélia Rodrigues

O educador, escritor e professor indígena Daniel Munduruku foi um dos destaques da abertura da Jornada Pedagógica 2026, realizada na noite desta terça-feira (3/2), em Amélia Rodrigues. Convidado para ministrar a Palestra Magna, ele levou ao público reflexões profundas sobre identidade, pertencimento, educação e a desconstrução de estereótipos históricos sobre os povos indígenas.
Com uma trajetória acadêmica consolidada, graduado em Filosofia, História e Psicologia pelo UNISAL, mestre em Antropologia Social, doutor em Educação pela USP e pós-doutor em Linguística pela UFSCar, Munduruku compartilhou saberes ancestrais e contemporâneos, dialogando diretamente com educadores da rede municipal.

Em entrevista à secretária de Educação, Cultura e Esporte, Gilmara Belmon, para o FALA GENEFAX, o escritor falou sobre o sentimento de participar da Jornada e a receptividade do público à mensagem apresentada.
“Estou me sentindo completamente extasiado, realizado, por perceber a tamanha receptividade pela mensagem que eu trouxe, que não é uma mensagem fácil, porque ela vem de uma outra perspectiva, um outro olhar epistemológico. Mas aqui eu sinto que houve uma receptividade muito grande. As pessoas se sensibilizaram com palavras que não são minhas, são palavras de um povo, de uma tradição, de uma cultura. Eu sou um pouco o tradutor disso tudo”, afirmou.

Para ele, a escuta atenta dos educadores demonstra o compromisso do município com uma educação mais sensível e plural. “Isso diz muito do trabalho que vocês têm feito aqui em Amélia Rodrigues, provocando os professores para esse momento de escuta, que é muito importante”, completou.
A importância do termo “indígena”
Durante a entrevista, Daniel Munduruku também abordou a discussão sobre o uso do termo “índio”, explicando por que a palavra é considerada inadequada e pejorativa, reforçando a importância do uso correto do termo “indígena”.

“A palavra índio é uma palavra inventada. É um apelido imposto na nossa história para se referir às populações originárias do Brasil. E apelido quase sempre carrega algo pejorativo”, explicou.
Ele destacou que, diferente disso, o termo “indígena” possui sentido e significado. “Indígena significa de origem, originário. Quando falamos em povos originários, estamos falando de povos indígenas. Não de povos índios”, ressaltou.

Munduruku defendeu ainda a valorização da identidade específica de cada povo “Eu sou um indígena munduruku. A parente que se apresentou aqui é do povo tuxá. Isso ajuda as pessoas a entenderem que nós somos de origem de um povo específico. A palavra índio não diz o que eu sou, diz o que as pessoas acham que eu sou, e isso foi ensinado de forma equivocada ao longo da história”, pontuou.

Pedagogia do pertencimento
Outro ponto central da fala foi a pedagogia indígena, que ele define como pedagogia do pertencimento. Segundo o educador, trata-se de um modo de educar que valoriza o presente e a experiência de existir no agora.

“O povo indígena não se constitui como um ser do passado nem do futuro, mas como um ser do presente. Essa pedagogia visa comprometer as pessoas com a experiência de viver hoje, e não com uma felicidade prometida para o futuro”, explicou.
Para Munduruku, a educação precisa estar conectada à plenitude do ser. “Só existe uma possibilidade de a gente ser feliz, e essa possibilidade é hoje. A pedagogia do pertencimento é a pedagogia do ser, de ser pleno, de ter a plenitude de existir”, concluiu.
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