Um alerta do Conselho de Medicina Veterinária chamou atenção para a esporotricose, doença fúngica classificada como um dos principais desafios sanitários urbanos do país entre as zoonoses. A preocupação aumentou após a esporotricose humana passar a integrar, desde 2025, a lista nacional de doenças de notificação compulsória, com registro obrigatório no Sinan.
Em Feira de Santana, o problema foi vivido de perto pela família do empresário Bruno Aguiar, morador do bairro Jardim Cruzeiro. Após adquirir uma gata, o tutor percebeu uma ferida no animal e, posteriormente, lesões cutâneas semelhantes a micose surgiram em vários membros da família. O diagnóstico demorou, tanto no animal quanto em humanos, o que agravou o quadro e prolongou o tratamento.

O médico veterinário Luciano Muritiba explica que a esporotricose não é exclusiva dos felinos, mas os gatos têm papel central na transmissão devido à alta concentração do fungo em lesões, garras e cavidades oral e nasal. A doença pode ser transmitida entre animais e humanos, inclusive pelo contato com solo ou material orgânico contaminado, não apenas por mordidas ou arranhões.
Nos humanos, os sintomas podem surgir dias ou até meses após a infecção, geralmente começando com um nódulo indolor que pode evoluir para ferida aberta. O tratamento é prolongado, com uso diário de antifúngicos por cerca de três meses. Não existe vacina contra a doença, mas há tratamento eficaz, desde que acompanhado por médico veterinário e médico.
A recomendação é procurar atendimento ao surgirem feridas que não cicatrizam, evitar o manuseio direto de animais com lesões e usar luvas ao ajudar animais suspeitos, buscando sempre orientação profissional.