Do indispensável ao obsoleto: orelhões serão retirados das ruas de todo o Brasil
A retirada começa agora porque, em 2025, chegaram ao fim as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis.

O ano de 2026 marca o fim de uma era no Brasil. Os orelhões, telefones públicos que por décadas fizeram parte do cotidiano da população e se tornaram um símbolo nacional, começarão a ser retirados definitivamente das ruas de todo o país a partir de janeiro.
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Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem espalhados pelo território nacional.
Quase indispensáveis no passado, os telefones públicos se tornaram praticamente obsoletos com a popularização dos celulares. A retirada começa agora porque, em 2025, chegaram ao fim as concessões do serviço de telefonia fixa das cinco empresas responsáveis pelos aparelhos: Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica.
Com o encerramento dos contratos, as operadoras deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura dos orelhões. A extinção, no entanto, não ocorrerá de forma imediata em todos os locais. A partir de janeiro, terá início a remoção em massa de carcaças e aparelhos desativados. Os telefones públicos só serão mantidos em cidades onde não há cobertura de telefonia móvel, e apenas até 2028.
O processo de retirada já vinha acontecendo gradualmente nos últimos anos. Dados da Anatel indicam que, em 2020, o Brasil ainda possuía cerca de 202 mil orelhões em funcionamento. Atualmente, mais de 33 mil aparelhos estão ativos, enquanto aproximadamente 4 mil seguem em manutenção.
Como contrapartida pela desativação do serviço, a Anatel determinou que as empresas redirecionem os recursos antes destinados aos orelhões para investimentos em redes de banda larga e telefonia móvel, tecnologias que hoje concentram a maior parte da comunicação no país.
Um símbolo da comunicação brasileira
Durante décadas, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os orelhões foram essenciais para a comunicação dos brasileiros. Facilitavam contatos urgentes, ajudavam a marcar encontros e, muitas vezes, eram o único meio de falar com alguém fora de casa. Foi nesses aparelhos que muita gente ouviu o clássico aviso de “chamada a cobrar”, aguardando ansiosamente até a ficha cair para completar a ligação.

Recentemente, o telefone público voltou a ganhar evidência entre as gerações mais jovens ao aparecer no cartaz do filme O Agente Secreto, vencedor do Globo de Ouro e indicado pelo Brasil ao Oscar 2026. Na imagem, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, aparece dentro da cabine oval segurando um telefone público.
Design que virou ícone
O orelhão surgiu em 1971, criado pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira. Inicialmente, os modelos receberam nomes como Chu I e Tulipa. Embora cabines telefônicas já existissem em outros países, o design brasileiro se destacou e acabou sendo reproduzido em nações como Peru, Angola, Moçambique e China.
Além do apelo visual, o formato tinha uma função prática: melhorar a acústica das ligações. O desenho ajudava a reduzir ruídos externos, projetando o som de forma mais eficiente e oferecendo maior privacidade a quem utilizava o aparelho.
Com a retirada definitiva dos orelhões, o Brasil se despede de um de seus mais marcantes símbolos urbanos, agora preservado principalmente na memória coletiva e na cultura popular.
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