Nome negativado em 2026: veja quais tipos de crédito ainda podem ser acessados
Com quase 81 milhões de inadimplentes, especialistas alertam para restrições severas em financiamentos e cartões

Ter o nome negativado foi um dos maiores desafios enfrentados por brasileiros que buscaram acesso ao crédito em 2025. Somente no mês de novembro, quase 81 milhões de pessoas deixaram de cumprir obrigações financeiras no país, segundo dados da Serasa Experian e da CNDL/SPC Brasil. O cenário, de acordo com especialistas, deve continuar impactando o mercado ao longo de 2026.
A inadimplência afeta diretamente o score de crédito, indicador que mede o risco de não pagamento e é amplamente utilizado por bancos e financeiras na concessão de empréstimos, cartões e financiamentos. Com juros ainda elevados e análises de risco mais rigorosas, o acesso ao crédito permanece limitado para quem possui restrições no CPF.
“O nome sujo continua funcionando como um filtro rígido no mercado de crédito. Mesmo após a quitação da dívida, o consumidor enfrenta juros mais altos, limites menores e maior dificuldade de aprovação”, explica Bruno Medeiros Durão, advogado tributarista e especialista em finanças.
Financiamento é o maior vilão
Entre os produtos mais afetados pela negativação estão os financiamentos imobiliários, de veículos e pessoais. As instituições financeiras costumam analisar todo o histórico do consumidor, e a existência de restrição ativa no CPF geralmente resulta em recusa automática ou na exigência de garantias adicionais, como fiador ou entrada elevada.
Segundo especialistas, em 2026 as chances de aprovação para negativados podem cair até 70%, especialmente após o endurecimento das políticas de crédito alinhadas às diretrizes do Banco Central. Além da negativação, fatores como comprometimento da renda acima de 30%, existência de outros financiamentos ativos e ausência de valor de entrada também pesam contra o consumidor.
Cartão de crédito costuma ser negado
O cartão de crédito é outro produto fortemente impactado pelo nome sujo. Por envolver risco sem garantia real, a maioria das instituições financeiras nega a concessão de novos cartões para consumidores negativados.
Há alternativas no mercado, como cartões pré-pagos ou com limite reduzido oferecidos por fintechs, mas essas opções costumam ter custos mais elevados. Os juros do crédito rotativo podem ultrapassar 15% ao mês, além de tarifas e anuidades.
“Mesmo quando o cartão é aprovado, as condições costumam ser piores. O histórico negativo influencia diretamente o custo do crédito”, ressalta Adriano de Almeida, advogado tributarista.
Consignado segue como exceção
O empréstimo consignado permanece como a principal exceção para quem está com o nome negativado. Como as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário, o risco de inadimplência é menor para os bancos.
Em 2026, trabalhadores com carteira assinada, aposentados e servidores públicos poderão contratar consignado mesmo com restrição no CPF, desde que tenham margem consignável disponível, que pode chegar a até 45% da renda, conforme regras do INSS e do Ministério do Trabalho.
“Como o desconto é feito diretamente na folha ou no benefício, o risco é menor, o que permite crédito mesmo para quem está negativado”, explica Adriano de Almeida.
Os juros do consignado costumam variar entre 1,5% e 2,5% ao mês, abaixo de outras modalidades. Ainda assim, especialistas alertam para o risco de comprometer excessivamente a renda mensal.
Inadimplência bate recorde no país
O alto número de inadimplentes reflete uma combinação de fatores, como custo de vida elevado, renda pressionada e uso excessivo de crédito caro, especialmente cartão de crédito e cheque especial.
O grupo mais afetado é o de pessoas entre 41 e 60 anos, seguido pela faixa de 26 a 40 anos, consideradas economicamente ativas e mais expostas ao endividamento. “Hoje, grande parte dos inadimplentes tem renda, mas perdeu capacidade de pagamento ao longo do tempo, acumulando dívidas com juros altos”, avalia Bruno Durão.
O que fazer se estiver com o nome sujo?
Especialistas recomendam algumas medidas práticas para quem busca reorganizar a vida financeira:
Consultar gratuitamente o CPF nos sites da Serasa ou do SPC Brasil;
Priorizar a quitação de dívidas com juros mais elevados;
Aproveitar mutirões de renegociação, que podem oferecer descontos de até 90%;
Utilizar empréstimos, como o consignado, apenas para reorganizar dívidas, evitando novos gastos;
Acompanhar regularmente o score de crédito.
A expectativa é que, ao longo de 2026, programas de renegociação ganhem força com a possível estabilização dos juros. Ainda assim, especialistas reforçam que planejamento financeiro e uso consciente do crédito são fundamentais para sair da inadimplência e evitar o retorno ao nome negativado.
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