Médicos enxertam orelha decepada no pé de paciente; entenda
Procedimento raro realizado na China preservou a orelha após grave acidente de trabalho e permitiu o reimplante meses depois

Um caso médico considerado inédito e inusitado chamou a atenção da comunidade científica internacional. Médicos da China enxertaram a orelha decepada de uma paciente em um dos pés dela como forma de preservação temporária, permitindo que o órgão fosse reimplantado meses depois. O episódio foi noticiado pelo South China Morning Post e detalhado em um artigo publicado em 22 de dezembro por uma revista médica.
A paciente, identificada apenas pelo sobrenome Sun, sofreu um grave acidente de trabalho envolvendo máquinas pesadas, que provocou a perda de grande parte do couro cabeludo e a amputação completa de uma das orelhas. Segundo Qiu Shenqiang, vice-diretor da unidade de microcirurgia do Hospital Provincial de Shandong, em Jinan, no leste da China, os danos à rede vascular foram tão extensos que o reimplante imediato da orelha era inviável.
De acordo com o médico, o couro cabeludo, o pescoço e o rosto da paciente ficaram severamente dilacerados, divididos em múltiplos fragmentos. Como o crânio precisava de meses para cicatrizar, a equipe decidiu preservar a orelha por meio de um procedimento alternativo, mantendo-a viva até que fosse possível recolocá-la em sua posição original.
Como não é possível congelar uma parte do corpo por longos períodos sem comprometer os tecidos, os cirurgiões optaram por um enxerto heterotópico — técnica que consiste em implantar temporariamente um órgão em outra região do corpo. O pé foi escolhido por apresentar artérias e veias compatíveis com as da orelha, além de possuir pele e tecidos moles semelhantes aos da cabeça.
Embora o enxerto heterotópico seja conhecido em transplantes, nunca havia sido registrado um caso de orelha enxertada no pé, o que tornou o procedimento um marco na medicina. A cirurgia durou cerca de dez horas, com a conexão minuciosa de vasos sanguíneos extremamente delicados.
Cinco dias após o enxerto, a orelha apresentou coloração roxa-escura devido à dificuldade de drenagem do sangue pelas veias, o que colocou o órgão em risco. Para contornar o problema, a equipe médica realizou sangrias manuais ao longo de cinco dias, totalizando quase 500 intervenções, até que a circulação fosse estabilizada.
Com o sucesso do enxerto, os médicos deram início à reconstrução gradual do couro cabeludo da paciente. Cinco meses após o acidente, a região estava suficientemente cicatrizada, permitindo que a orelha fosse finalmente reimplantada em seu local de origem. O procedimento definitivo foi realizado em outubro.
A paciente já recebeu alta hospitalar e apresenta recuperação quase completa das funções faciais e dos tecidos, encerrando um dos casos mais singulares já registrados na história da microcirurgia reconstrutiva.
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