PGR poderá usar dados de três investigações sobre Bolsonaro em uma mesma denúncia; entenda

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está analisando a possibilidade de consolidar três investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma única denúncia, caso identifique fundamentos legais para um julgamento. As apurações envolvem: a tentativa de golpe de Estado, a apropriação ilegal de joias sauditas e a fraude em cartões de vacina.
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A expectativa é que, nos próximos dias, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, receba os indiciamentos da Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de golpe, que inclui Bolsonaro, seu ex-ministro Braga Netto, e outras 35 pessoas, acusadas de tentar impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. A partir desses indiciamentos, Gonet terá até fevereiro de 2024, após o recesso do Judiciário, para decidir se apresentará uma denúncia à Justiça.
Dentro da PGR, há uma interpretação de que os casos das joias e da fraude nos cartões de vacina podem estar ligados à tentativa de golpe, formando uma trama maior, onde as ações de Bolsonaro e seu círculo íntimo seriam passos para a execução de um plano golpista. A fraude nos cartões de vacina, liderada pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid, teria sido uma estratégia para garantir a entrada de Bolsonaro nos Estados Unidos em dezembro de 2022, pouco antes da posse de Lula. Já as joias sauditas, recebidas pelo Brasil durante a gestão Bolsonaro, teriam sido desviadas para beneficiar o ex-presidente e seu entorno, com a venda dessas joias nos Estados Unidos, possivelmente como uma forma de assegurar recursos financeiros em território estrangeiro.
A PGR pode usar esses elementos para reforçar uma acusação de que as ações de Bolsonaro e aliados, incluindo a tentativa de golpe, foram parte de um mesmo objetivo criminoso. Se Gonet entender que existe uma conexão entre os casos, ele pode apresentar uma denúncia unificada ao STF, que decidirá se tornará os investigados réus. A PF mantém essas apurações dentro de um inquérito maior, conhecido como “inquérito das milícias digitais”, onde os crimes seriam atribuídos a uma organização criminosa liderada por Bolsonaro e seus aliados.